Combates são retomados em Gaza após Sarkozy anunciar trégua

Presidente francês afirma que Israel aceitou proposta; violência volta às ruas depois do cessar-fogo diário de 3h

Agências internacionais,

07 de janeiro de 2009 | 12h23

Apesar do anúncio do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de que Israel teria aceitado a proposta de cessar-fogo apresentada por França e Egito, os combates entre soldados israelenses e militantes islâmicos do Hamas foram retomados na Faixa de Gaza após o fim da trégua humanitária de três horas. Os combates serão interrompidos diariamente por um período para facilitar a entrada de ajuda aos palestinos em algumas regiões do território.   Veja também: Sarkozy diz que Israel aceitou proposta de cessar-fogo Trégua por 3h é piada, diz ex-relator da ONU brasileiro  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Brasileiros que vivem em Gaza não querem sair  Brasileiros que vivem na região falam sobre o conflito  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  TV Estadão: as consequências do conflito em Gaza  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        As pressões internacionais sobre Israel para pôr fim a seus ataques, que já duram 12 dias, aumentaram depois de disparos de tanque matarem 42 palestinos numa escola da ONU na região. Após a trégua de três horas, os confrontos foram retomados em Gaza. Ao mesmo tempo em que ordenou uma suspensão de três horas nas operações militares para permitir a entrada de ajuda, Israel disse que estuda uma escalada grande das operações, que levaria suas tropas para mais fundo nas cidades e nos campos de refugiados da Faixa de Gaza, em sua tentativa de pôr fim aos disparos de foguetes feitos por militantes islâmicos contra Israel.   Moradores do norte da Faixa de Gaza afirmaram que houve troca de tiros entre soldados israelenses e membros do Hamas durante as três horas da trégua temporária. Na Cidade de Gaza, centenas de pessoas foram às ruas para fazer compras e visitar familiares. Por volta do meio-dia (9h no horário de Brasília) Israel suspendeu suas operações militares em partes da Faixa de Gaza, dizendo que o intervalo de três horas permitiria a entrada de ajuda por um "corredor humanitário" que estabeleceu. Três horas mais tarde, os confrontos foram retomados perto da cidade de Gaza, segundo moradores. O Hamas também anunciou a suspensão do disparo de foguetes temporariamente.   John Ging, diretor de operações na Faixa de Gaza da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), disse que a Faixa de Gaza virou "um inferno na terra" para seus 1,5 milhão de habitantes e que, em vista de suas necessidades, um intervalo de três horas é insuficiente.  Cerca de 670 palestinos, incluindo pelo menos 300 civis - pelo menos 130 menores de 16 anos -, foram mortos durante a campanha, e mais de 2.900 foram feridos. Sete soldados israelenses e três civis foram mortos desde que a operação começou.   Segundo fontes, membros do gabinete de segurança de Olmert adiaram uma votação sobre o início de um estágio de guerra urbana da ofensiva, que começou com ataques aéreos em 27 de dezembro e passou a incluir uma ofensiva terrestre desde o sábado passado, e dar uma chance aos esforços egípcios para obter um cessar-fogo.   Cessar-fogo de Sarkozy   O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quarta-feira que Israel e a Autoridade Palestina, do líder do Fatah Mahmoud Abbas, aceitaram um plano elaborado por França e Egito para a Faixa de Gaza. Sarkozy não mencionou o Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza. As declarações do líder francês foram divulgadas em comunicado. Sarkozy diz que "saúda fortemente" a aceitação pela Autoridade Palestina e por Israel do plano apresentado na terça-feira pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak. Mais tarde, seu gabinete disse que a nota foi apenas uma declaração às reações positivas de Israel.   Israel disse, por um porta-voz, que "saúda" o projeto. O funcionário disse que o país poderia aceitar o plano se houvesse o fim do "fogo hostil" em Gaza e medidas para evitar o rearmamento do Hamas. Tanto Israel como o grupo islâmico disseram que também discutindo a proposta com o Egito   Em nota dovulgada pelo Palácio do Eliseu, a presidência francesa afirmou que o plano será implementado assim que possível para acabar com o sofrimento da população. Os presidentes da França e do Egito, Hosni Mubarak, apresentaram um plano na terça-feira para obter uma trégua imediata e encerrar o conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, que já dura 12 dias e matou mais de 670 palestinos. A proposta pedia um cessar-fogo por um período limitado destinado a permitir o envio de ajuda humanitária a Gaza, um encontro urgente entre israelenses e palestinos para discutir meios de impedir novas ações militares e motivos para o conflito, incluindo o fim do bloqueio de Gaza. Também pede a retomada de diálogo sobre uma reconciliação entre o Hamas e a Autoridade Palestina, que perdeu o controle de Gaza para o grupo em meados de 2007.  

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