Comboio líbio no Níger pode ser indício de acordo com Gaddafi

Centenas de veículos do Exército líbio atravessaram a desértica fronteira para o Níger no que pode ter sido uma tentativa dramática e secretamente negociada de Muammar Gaddafi para buscar refúgio no país aliado, informaram fontes militares na França e no Egito à Reuters nesta terça-feira.

EMMA FARGE E ABDOULAYE MASSALTCHI, REUTERS

06 Setembro 2011 | 11h44

Os rebeldes líbios que derrubaram Gaddafi dois dias atrás disseram acreditar que uma dezena de veículos que atravessou a remota fronteira estava transportando ouro e dinheiro, aparentemente saqueados de uma filial do banco central da Líbia na cidade natal de Gaddafi, Sirte.

Fontes militares afirmaram que o comboio de 200 a 250 veículos foi acompanhado até a cidade de Agadez, no norte do país, pelo Exército do Níger, uma ex-colônia francesa cercada por terra. Pode ser que o comboio encontre Gaddafi no caminho para a vizinha Burkina Faso, que ofereceu asilo ao ex-líder líbio, disseram fontes militares francesas.

A França, o Níger e Burkina Faso, além dos novos governantes da Líbia e a Otan, todos negaram saber onde estava Gaddafi ou se houve algum acordo para que ele fugisse do país ou buscasse proteção contra os líbios e o Tribunal Penal Internacional, que quer levá-lo a julgamento.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da França, Bernard Valero, disse que os líbios deveriam decidir que medidas seriam tomadas, mas que Gaddafi não deveria ter permissão para fugir silenciosamente. "Ele terá de enfrentar a justiça por todos os crimes que cometeu nos últimos 42 anos", afirmou.

O ministro de Relações Exteriores do Níger, Bazoum Mohamed, disse, segundo a emissora de TV Al Arabiya, que Gaddafi não estava no comboio que chegou na noite de segunda-feira ao país. Um assistente do presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou: "Não temos informações específicas que indiquem que Gaddafi está lá."

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