Começa corrida das empresas pelo petróleo iraquiano

Companhias estrangeiras disputarão a terceira maior reserva do mundo, mas temem violência e corrupção

Timothy Williams, The New York Times

30 de junho de 2009 | 08h12

 

BAGDÁ - Nesta terça-feira, 30,, quando o governo do Iraque abrir a concorrência para empresas internacionais obterem o direito de explorar seus maiores campos de petróleo e gás, estaremos diante de um divisor de águas. Será a primeira chance de gigantes do ramo explorarem recursos do Iraque, de onde foram expulsas em 1972, após Saddam Hussein nacionalizar o petróleo.

 

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Apesar disso, muitos duvidam que o Iraque esteja pronto para uma entrada súbita de capital das multinacionais do petróleo. O país ainda não é seguro. O Parlamento não aprovou as leis que regulamentam o setor. E as empresas do ramo desconfiam da corrupção no Ministério do Petróleo.

 

As petrolíferas também estão numa posição complicada, pois têm de concorrer por contratos de serviço de 20 anos de duração e não pelos acordos de produção partilhada, que são mais lucrativos. Tais acordos permitiriam que eles partilhassem diretamente dos lucros obtidos com a exploração do petróleo, em vez de receber rendimentos fixos.

 

Ainda assim, todos os lados querem avançar por um único motivo: o dinheiro. O governo do Iraque diz que para garantir a segurança, financiar a reconstrução do país e pagar os salários dos funcionários contratados nos últimos dois anos, será necessário aumentar a produção de petróleo, que corresponde a cerca de 95% da moeda estrangeira que o país acumula.

 

Hussain al-Shahristani, ministro do Petróleo do Iraque, disse recentemente que seu objetivo é aumentar a produção, em seis anos, dos atuais 2,4 milhões de barris por dia para 6 milhões de barris diários.

 

Para isso, segundo estimativas do governo, o setor petrolífero precisa de um investimento de US$ 50 bilhões, além dos US$ 8 bilhões que foram injetados na área durante os últimos anos. No entanto, há anos a produção está em declínio no sul do Iraque, onde se localizam cerca de 80% de suas reservas.

 

As empresas do ramo do petróleo têm se queixado silenciosamente da corrupção, má administração e violência contínua no Iraque, além das regras que as obrigam a se tornar parceiras de empresas iraquianas. Outra exigência contratual determina que as empresas que arrematem campos na licitação façam pagamentos ao governo totalizando US$ 2,6 bilhões. O governo descreveu o valor como um empréstimo que será devolvido assim que a produção tiver início.

 

As empresas estrangeiras estão preocupadas também com a dura oposição à licitação por parte de alguns parlamentares, de sindicatos petrolíferos e até de funcionários do governo. "Os contratos deixarão a economia do Iraque acorrentada, restringindo sua independência pelos próximos 20 anos", disse Fayad al-Nema, diretor da South Oil Co., empresa estatal responsável pela produção da maior parte do petróleo do Iraque.

 

Apesar das circunstâncias desfavoráveis, as multinacionais enxergam o Iraque como peça fundamental porque poucos lugares dispõem de tanto petróleo inexplorado e próximo à superfície, de modo que possa ser extraído a um custo relativamente barato. Com 115 bilhões de barris, o país é dono da terceira maior reserva conhecida do mundo.

 

De fato, após meses de lobby por parte do premiê Nuri al-Maliki e de outros funcionários do governo, a expectativa é que a maioria das grandes multinacionais do petróleo - como ExxonMobil, Royal Dutch Shell, British Petroleum e Chevron - façam suas ofertas.

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