Começa julgamento de irano-americana acusada de espionagem

Porta-voz afirma que sentença da jornalista será anunciada em até 3 semanas; ela pode receber pena de morte

Agências internacionais,

14 de abril de 2009 | 08h46

O julgamento da jornalista americana de origem iraniana Roxana Saberi, detida há dois meses no Irã e acusada de espionagem, começou na segunda-feira, segundo o porta-voz do Poder Judiciário iraniano, Ali Reza Jamshidi. Em entrevista coletiva convocada em Teerã, Jamshidi anunciou também que a sentença será divulgada "muito em breve", já que a repórter, de 31 anos, apresentou suas últimas alegações.

 

Roxana Saberi, filha de iranianos nascida nos EUA, foi presa no final de janeiro por trabalhar na República Islâmica após sua credencial de imprensa ter expirado. Sob o código penal do Irã, o crime de espionagem pode resultar em pena de morte. "A primeira sessão do julgamento contra Roxana Saberi ocorreu na segunda-feira. Acho que o veredicto será anunciado em breve, no máximo em duas ou três semanas", afirmou.

 

Segundo o pai de Roxana , que se encontra em Teerã e pôde visitar a repórter na prisão de Evin, a filha foi detida por ter comprado uma garrafa de vinho em um país que proíbe a venda e o consumo de álcool. As autoridades iranianas, no entanto, justificaram, em primeira instância, que a jornalista americana trabalhava "de forma ilegal", ao ter expirado há mais de um ano sua licença de trabalho.

 

A repórter, que colaborou com televisões de prestígio internacional, como a rede britânica "BBC" e a americana "Fox News", encontrava-se no Irã aparentemente escrevendo um livro sobre o país e fazendo mestrado em política iraniana. Roxana cresceu em Fargo, Dakota do Norte, e vive no Irã há seis anos. Um juiz investigativo iraniano alegou que Roxana passou informações secretas aos serviços de inteligência dos EUA, mas não forneceu outros detalhes.

 

O governo dos EUA reiteradamente pede a libertação de Roxana e as acusações contra ela e o julgamento foram um revés, especialmente no momento em que o presidente Barack Obama demonstra interesse em dialogar com o país, após décadas de relação difícil, inclusive durante o governo do antecessor George W. Bush. Não estava claro o motivo da rapidez do julgamento, especialmente pela gravidade das acusações. Pela lei iraniana, os condenados por espionagem podem pegar até dez anos de prisão.

 

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse na semana passada que os EUA estão "profundamente preocupados" com as acusações, descritas pelo departamento como "sem fundamento". Grupos de direitos humanos frequentemente criticam o Irã por prender jornalistas e restringir a liberdade de expressão. Teerã prendeu várias pessoas com cidadania iraniana e norte-americana, alegando que elas supostamente trabalhariam para derrubar o governo islâmico do país, através de uma "revolução suave".

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