Comissão de Direitos Humanos da ONU exige acesso à Síria

Investigadores dizem ter relatos de assassinatos e casos de tortura, inclusive de crianças

Reuters

30 Setembro 2011 | 12h38

GENEBRA - Uma comissão pelos direitos humanos apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) exigiu nesta sexta-feira, 30, que a Síria permita a entrada de uma equipe de investigadores no país para apurar relatos de assassinatos e tortura, inclusive de crianças, durante os seis meses de protestos contra o governo do presidente Bashar Assad.

 

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"Estamos recebendo muitos relatos assustadores sobre a situação das crianças durante esse conflito," disse Paulo Pinheiro, especialista brasileiro em direitos humanos que lidera a comissão de inquérito, em uma coletiva de imprensa na sexta-feira. "Neste exato momento estamos tentando obter acesso do governo sírio," disse.

 

Pinheiro não se referiu a nenhum caso específico, mas um vídeo no YouTube de um cadáver ensanguentado de um garoto de 13 anos provocou fúria internacional no início deste ano. Hamza al-Khatib, que segundo ativistas foi torturado e morto por forças de segurança, virou um símbolo poderoso nos protestos contra o governo de Assad, que foram reprimidos de forma sangrenta.

 

 

Autoridades sírias negam que o menino tenha sido torturado, dizendo que ele foi morto em uma demonstração na qual gangues armadas atiraram em guardas. "De qualquer maneira, com ou sem a cooperação da Síria, teremos um relatório. É sempre melhor se um Estado-membro coopera com a comissão de inquérito," disse Pinheiro.

Pelo menos 2,7 mil pessoas foram mortas na repressão, diz a ONU. A Síria diz que mais de 700 soldados e policiais foram mortos no levante, cuja responsabilidade atribui a grupos armados apoiados por forças estrangeiras.

A Anistia Internacional diz ter evidências em vídeo de pessoas - incluindo garotos de 13 anos de idade - encontradas mortas com ferimentos indicando que sofreram espancamentos, queimaduras, açoitamento, choques elétricos e outros abusos.

Vários diplomatas ocidentais duvidam que o cada vez mais isolado governo sírio permita a entrada de um painel de três membros, criado pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU no mês passado, para investigar supostos crimes contra a humanidade cometidos pelas forças sírias.

A equipe total de 15 pessoas, que inclui especialistas forenses e legais, espera encontrar autoridades sírias em Genebra na próxima semana para discutir sua visita, diz Pinheiro. Eles também planejam visitar países vizinhos, incluindo a Turquia, para reunir depoimentos de refugiados e testemunhas antes de preparar seu relatório no final de novembro. "Somos uma comissão independente com total independência e imparcialidade," disse Pinheiro.

Uma investigação inicial da ONU disse que descobriu provas de crimes contra a humanidade e elaborou uma lista confidencial de 50 supostos perpetradores para possível processo.

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