Comissão nega irregularidades na ação naval em Gaza

Uma comissão militar israelense concluiu a investigação sobre o confronto naval de 31 de maio na costa de Gaza, sem encontrar sinais de falha ou negligência por parte dos soldados, embora apontando erros de inteligência e operacionais que teriam levado à morte de nove ativistas turcos.

ALLYN FISHER-ILAN, REUTERS

12 de julho de 2010 | 16h42

Paralelamente, uma comissão civil também está investigando a ação militar contra uma frota de embarcações que tentava furar o bloqueio comercial à Faixa de Gaza para levar mantimentos à população palestina desse território, governado pelo grupo islâmico Hamas.

O incidente provocou forte reação internacional, abalou as relações de Israel com a outrora aliada Turquia e levou o Estado judeu a atenuar o bloqueio terrestre à Faixa de Gaza.

"O inquérito concluiu que, por um lado, não houve irregularidades nem negligências em quaisquer áreas fundamentais durante uma operação complicada e complexa", disse na segunda-feira o general da reserva Giora Eiland, chefe da comissão militar de inquérito.

"Mas por outro lado houve erros nas decisões, inclusive em algumas tomadas em escalões relativamente elevados, que fizeram com que o resultado não fosse como se previa inicialmente", disse Eiland a jornalistas na sede do Ministério da Defesa, em Tel Aviv, onde divulgou o relatório.

Israel diz que é preciso impor o bloqueio naval a Gaza para evitar que o Hamas receba armas. Sobre o incidente de maio, o governo alega que seus soldados agiram em legítima defesa, pois foram agredidos ao descerem no convés do navio Mavi Marmara.

Segundo Eiland, houve naquele dia "pelo menos quatro incidentes nos quais pessoas que estavam no barco atiraram nos nossos soldados, ou usando as armas roubadas dos soldados, ou uma arma que eles tinham".

"Temos evidência de que havia pelo menos uma arma neste barco antes de chegarmos, e há uma boa razão para crer que o primeiro disparo ocorreu quando nosso soldado, o segundo soldado que chegou convés do primeiro helicóptero, foi alvejado por alguém", acrescentou ele.

Os organizadores turcos da frota naval negam que os ativistas tenham atirado primeiro. Alegam que os ativistas de fato tomaram armas dos soldados israelenses, mas as atiraram pela amurada.

Na época do incidente, Israel disse que não esperava uma resistência tão feroz a bordo.

Eiland afirmou que uma melhor coleta de informações a respeito dos preparativos dos ativistas para atacar os soldados poderia ter evitado as mortes.

O relatório da comissão militar é o primeiro sobre o caso. A comissão civil, liderada pelo jurista Jacob Turkel, ex-presidente da Suprema Corte de Israel, conta com dois observadores estrangeiros, mas seu mandato é limitado - sem abranger, por exemplo, as motivações políticas para a abordagem dos navios, embora Turkel pretenda convocar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para depor.

O principal foco da investigação civil é se o bloqueio comercial ou a abordagem militar aos navios violaram o direito internacional. A comissão analisará também as atitudes dos organizadores e participantes da frota.

A Turquia acusou Israel de cometer "terrorismo de Estado", retirou seu embaixador de Tel Aviv e cancelou exercícios militares conjuntos com Israel.

(Reportagem adicional de Joseph Nasr e Ori Lewis em Jerusalém)

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