Compradores evitam petróleo do Irã e pressão sobre país aumenta

O Irã enfrentava nesta quinta-feira a perspectiva de cortes em suas vendas de petróleo para China e Japão, enquanto novas medidas para reduzir as exportações de petróleo bruto de Teerã pareciam estar encurralando sua economia.

ROBIN POMEROY, REUTERS

05 de janeiro de 2012 | 16h45

Os desenvolvimentos na Ásia se seguiram à notícia na quarta-feira de que líderes da União Europeia (UE) haviam concordado em suspender as aquisições europeias de petróleo iraniano.

A China, o maior parceiro comercial do Irã, já havia reduzido suas aquisições de petróleo iraniano em mais da metade neste mês e deve estender os cortes para fevereiro, disse um corretor sediado em Pequim que lida com petróleo iraniano.

O Japão vai considerar reduções nas suas aquisições de petróleo iraniano para garantir a dispensa de novas sanções norte-americanas que o presidente Barack Obama transformou em lei na véspera do Ano-Novo, disse uma fonte do governo.

China, a UE e Japão compram cerca de metade das exportações de 2,6 milhões de barris de petróleo por dia do Irã.

Sanções internacionais, que durante anos tiveram pouco efeito, estão pela primeira vez tendo um impacto real na vida no Irã, onde a moeda rial despencou e as pessoas tiveram que correr para converter suas poupanças em dólares.

A maioria dos negociantes de petróleo ainda espera que o Irã seja capaz de encontrar compradores para seu petróleo, mas terá que oferecer maiores descontos, reduzindo a receita da moeda necessária para importar alimentos e outros produtos básicos para seus 74 milhões de habitantes.

O Irã não se fez de rogado. O ministro das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, disse nesta quinta-feira que o país iria "sobreviver à tempestade".

"O Irã, com a ajuda divina, sempre conseguiu vencer essas ações hostis e não estamos nem um pouco preocupados com as sanções", disse em entrevista coletiva.

As dificuldades econômicas ocorrem a apenas dois meses das eleições parlamentares, as primeiras desde uma votação presidencial controversa em 2009 que provocou manifestações em massa em todo o país.

Os líderes do Irã responderam às sanções com um discurso bélico, incluindo uma ameaça de bloquear a passagem do petróleo do Oriente Médio fechando o Estreito de Ormuz que leva ao Golfo, e mesmo desafiando um porta-aviões norte-americano se ele voltasse ao canal.

Washington afirmou que navegaria pelo estreito quando quisesse e que iria garantir a livre passagem pelo canal internacional. O secretário de Defesa britânico, Philip Hammond, disse que qualquer tentativa de bloquear o estreito "era ilegal e não seria bem sucedida".

Diplomatas europeus disseram nesta semana que haviam chegado a um acordo em princípio para impor um embargo ao petróleo.

A UE -principalmente Itália, Espanha e Grécia- compraram em conjunto cerca de 500.000 barris de petróleo iraniano por dia, tornando o bloco o segundo maior freguês do Irã depois da China.

Os líderes europeus ainda precisam decidir quando o embargo entra em vigor, mas o anúncio deve ser feito em uma reunião de chanceleres no final deste mês.

(Reportagem adicional de Chen Aizhu, em Pequim; e de Tetsushi Kajimoto)

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