Conflito no Líbano faz soar alarmes no mundo inteiro

A tomada da metade islâmica de Beirutepelo Hezbollah fez soar alarmes no mundo árabe e no Ocidente nasexta-feira, enquanto o enfraquecido governo libanêsclassificava a manobra como um golpe armado. Na sexta-feira, o governo norte-americano repetiu seu"firme comprometimento com e firme apoio" ao governo doprimeiro-ministro Fouad Siniora. O Egito e a Arábia Sauditapediram que ministros das Relações Exteriores de países árabesse reunissem com urgência. No pior conflito interno surgido no Líbano desde a guerracivil transcorrida entre 1975 e 1990, homens armadosenfrentaram-se nas ruas de Beirute, nesta semana. Um impasse entre a oposição liderada pelo Hezbollah e ogabinete de Siniora, apoiado pelos EUA e pelos aliados árabesdos norte-americanos, paralisa o país e deixa vago, desdenovembro, o cargo de presidente. O Hezbollah conta com o apoioda Síria e do Irã. A Casa Branca disse estar "muito preocupada" com as açõesdo Hezbollah e convocou os governos sírio e iraniano a deixaremde dar apoio ao grupo militante xiita. A União Européia (UE), a Alemanha e a França pediram calmae defenderam a solução pacífica do impasse. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice,telefonaria para líderes de países do Oriente Médio a fim dediscutir a crise, disse Sean McCormack, porta-voz doDepartamento de Estado. "Eu gostaria de reafirmar nossos firme comprometimento come firme apoio ao governo Siniora", disse. "Eles estão adotando todas as medidas corretas. A formacomo mobilizaram as Forças Armadas serve aos melhoresinteresses do povo libanês e do Líbano." O porta-voz afirmou a repórteres não ter notícias sobrequalquer "elaboração" de plano para o envio de forçasnorte-americanas à região. McCormack ainda acusou o Hezbollah de ser um grupo de"gangues armadas que usam a violência e a ameaça do uso daviolência para atingir objetivos políticos" que apenasprejudicariam o povo libanês. Segundo o porta-voz, os EUA haviam encorajado os que têminfluência sobre a Síria e o Irã a "dizer-lhes que deveriamusar qualquer tipo de respaldo que possuam com o Hezbollah afim de convencer o grupo a abdicar desse tipo de ação". APELO POR NEGOCIAÇÕES DE CRISE A coalizão de governo liderada por Siniora responsabilizoupessoas ligadas ao Hezbollah pelo agravamento da crise. "O golpe armado e sanguinário que está sendo realizado visapermitir a volta da Síria ao Líbano e estender o alcance do Irãaté o Mediterrâneo", afirmou o governo em um comunicado lidopelo líder cristão Samir Geagea. A Síria disse que a crise era uma questão interna doLíbano. Já o Irã responsabilizou as "interferências temerárias"dos EUA e de Israel pela onda de violência. A Arábia Saudita é o maior aliado do governo atualmente nopoder no Líbano, um governo liderado pelos sunitas. "O Egito e a Arábia Saudita pediram a realização imediatade um encontro do conselho de ministros das Relações Exterioresdos países-membros da Liga Árabe", disse um porta-voz dachancelaria egípcia, segundo a agência de notícia Mena, doEgito. "O encontro deve ocorrer dentro dos próximos dias",acrescentou. O presidente de Israel, Shimon Peres, disse que o Hezbollahestava deixando o Líbano "à beira de uma guerra civil". "Isso não tem relação nenhuma com Israel. Trata-se de umconflito interno", afirmou Peres. "Isso representa uma tragédiapara eles. E uma tragédia para todos nós." Dois anos atrás, Israel iniciou uma guerra contra oHezbollah depois de o grupo ter capturado dois soldadosisraelenses. A França ofereceu-se para ajudar as partes em conflito anegociar, disse o ministro francês das Relações Exteriores,Bernard Kouchner. "Pedimos que todos, que cada uma das partes, cada uma dasforças, que todos parem de lutar e que retomem o diálogo.Pedimos que as barricadas sejam levantadas e que o aeroportoseja reaberto", acrescentou o Kouchner. A França e a Itália afirmaram estar preparando planos deretirada de seus cidadãos do Líbano. A Grã-Bretanha, a França ea Eslovênia divulgaram alertas desaconselhando viagens aoterritório libanês.

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