Conflito político no Líbano termina em violência

Manifestantes a favor do governo doLíbano, apoiado pelos Estados Unidos, enfrentaram nestaquarta-feira atiradores leais à oposição liderada peloHezbollah, em uma escalada da violência da pior crise internado país desde a guerra civil entre 1975 e 1990. Os simpatizantes do Hezbollah, que é apoiado pelo Irã,fecharam avenidas importantes de Beirute queimando pneus,carros velhos e colocando terra na estrada, paralisando acidade e cortando rotas para o mar e para os aeroportos. Os confrontos ocorreram um dia após o governo acusar oHezbollah de violar a soberania do país, ao montar sua própriarede de telecomunicações e instalar câmeras no aeroporto deBeirute. O tráfego aéreo foi suspenso por seis horas por causa deuma greve de funcionários que exigia reajuste dos salários. A greve foi apoiada pela oposição liderada pelo Hezbollah,cuja luta de 17 meses contra o governo anti-Síria do premiêFouad Siniora já tinha levado a ondas de violência. Fontes de segurança disseram que os manifestantes a favordo governo usaram rifles e granadas contra os simpatizantes doHezbollah, nas ruas de Noueiri, Ras al Nabae e Wataal-Musaitbeh. Ainda não há informações sobre baixas. Atiradores da oposição assumiram o controle de doisescritórios do grupo político Futuro, de Saad al-Hariri, líderda coalizão governista e mais influente político sunita doLíbano. Jovens leais aos adversários trocaram pedradas em Mazraa,um dos bairros onde há forte tensão entre sunitas e xiitas. O Exército, que em geral se mantém neutro na crise, fezdisparos para o alto para dispersar o tumulto, mas não tentouremover as barricadas nas ruas, muitas das quais feitas comblocos de concreto. "O que vemos hoje é uma tentativa de entrincheiramento domini-Estado do Hezbollah", disse o ministro Marwan Hamadeh àrádio Voz do Líbano. Para ele, "não é o bloqueio temporário deestradas que vai determinar o futuro do Líbano. O Líbano disseque não vai se tornar um satélite iraniano", disse ele àReuters. Sem presidente há vários meses, devido a um impasseparlamentar, o Líbano vive sua pior crise política desde o fimda guerra civil. O Hezbollah é a única facção libanesa autorizada a mantersuas armas depois da guerra civil contra as forças israelensesno sul. Israel retirou-se em 2006 e o destino das armas doHezbollah é o ponto central da crise. O Conselho de Segurançadas Nações Unidas proibiu que o grupo se rearmasse e sereestruturasse militarmente no sul do Líbano. (Reportagem adicional de Nadim Ladki, Laila Bassam e YaraBayoumi)

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