Conflitos nas montanhas elevam total de mortos no Líbano a 81

Líderes rivais devem conversar com mediadores da Liga Árabe para tentar solucionar a crise interna no país

NADIM LADKI, REUTERS

12 de maio de 2008 | 08h54

Os confrontos continuavam nesta segunda-feira, 12, na cidade de Tripoli, no norte do Líbano, e fontes de segurança afirmaram que pelo menos 36 pessoas tinham sido mortas no domingo em combates entre o Hezbollah e seguidores do líder druso Walid Jumblatt no leste de Beirute. Atiradores sunitas pró-governo no distrito de Bab Tebbaneh trocaram tiros e granadas com milícias aliadas ao Hezbollah na região de Jebel Mohsen.      Veja também:    Confrontos violentos no Líbano se espalham pelo país Combatentes do Hezbollah começam a sair de BeiruteTensão cresce no Líbano após Hezbollah tomar BeiruteEntenda as divisões e a crise política Quatro pessoas foram feridas nos confrontos que depois geraram ações de atiradores de elite, segundo testemunhas. No resto do Líbano vigorava uma tranquilidade precária, enquanto líderes rivais se preparam para conversas com mediadores da Liga Árabe para tentar resolver a pior crise interna no país desde a guerra civil (1975-90). O Hezbollah e seus aliados varreram Beirute e as montanhas a leste da capital, expulsando militantes governistas, antes de entregarem o controle da área ao Exército, que é neutro na disputa. Uma fonte disse que entre os mortos nos combates de domingo há 14 militantes do Hezbollah, grupo que tem apoio do Irã. Por parte dos governistas, Jumblatt aceitou entregar suas posições ao Exército depois de perder várias delas para militantes do Hezbollah e seus aliados no bairro de Aley. Os confrontos no Líbano, iniciados em 7 de maio, já deixaram 81 mortos e 250 feridos. O avanço militar do Hezbollah é parte de uma espécie de "guerra por procuração" entre o Irã e os EUA, que apóiam o governo local, agora sensivelmente enfraquecido. O grupo xiita rebelou-se contra as decisões do governo de destruir a rede de comunicações do Hezbollah e demitir o chefe de segurança do aeroporto de Beirute, que era ligado à facção. Embora o governo já tenha recuado dessas decisões, dá poucos sinais de outras concessões políticas. Os Estados Unidos condenaram a ação militar do Hezbollah e criticaram o Irã e a Síria (também apoiadora do grupo). O destróier norte-americano USS Cole passou no domingo pelo canal de Suez e entrou no Mediterrâneo, segundo fontes egípcias de segurança. O navio já esteve em fevereiro na costa libanesa, num sinal de apoio ao governo. Não houve confirmação oficial imediata da sua volta à região. Depois de cinco dias de intensos combates em Beirute, não há notícias de confrontos na capital, que aparentemente já começa a voltar ao normal -- embora a população desconfie da solidez da trégua. "Estamos com os nervos flor da pele," disse a dona-de-casa Hoda, que estocava alimentos em Beirute. "Está claro que a situação é muito perigosa e temos de ser cautelosos. Quem sabe quanto isto pode durar?".

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