Conflitos no Líbano deixam 8 mortos e 16 feridos

Opositores do Hezbollah rejeitam proposta de paz do governo e enfrentamentos continuam pelo segundo dia

Agências internacionais,

08 de maio de 2008 | 16h53

Pelo menos oito pessoas morreram em Beirute nos confrontos entre os apoidores sunitas do governo e militantes da oposição nesta quinta-feira, 8, segundo informações de fontes de segurança divulgadas pela agência Reuters. Mais cedo, as autoridades libanesas haviam anunciado que dois civis foram mortos nos ataques. Os oficiais disseram que uma mãe e seu filho morreram quando uma granada atingiu um apartamento na capital libanesa, no bairro de Ras el-Nabeh. Falando sob condição de anonimato, as fontes acrescentaram que 16 pessoas ainda ficaram feridas.   Veja também: Choques entre governo e oposição se espalham pelo Líbano   Partidários do grupo xiita Hezbollah e apoiadores sunitas do governo libanês do primeiro-ministro Fuad Siniora voltaram a se enfrentar nesta quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo. O estopim dos conflitos foi a declaração do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, de que o atual governo do Líbano, aliado dos Estados Unidos, declarava uma guerra ao investir contra a rede de comunicações do partido.   Em uma tentativa de acordo, o líder da maioria sunita no parmalmento, Saad Hariri, pediu a Nasrallah que trabalhe com ele para acabar com o conflito. Os opositores, no entanto, rejeitaram a proposta, informou a emissora al-Manar.   Várias estradas foram bloqueadas tanto por oposicionistas quanto por governistas em várias cidades do interior. A rodovia que liga o Líbano à Síria foi interrompida com montes de terra pela oposição na manhã desta quinta-feira. Tropas do Exército montaram vários pontos de checagem pelo país, na tentativa de evitar confrontos entre as duas partes.   Diplomacia   Ainda nesta quinta-feira, a Arábia Saudita e o Irã mantiveram contatos, através de seus embaixadores em Beirute, em uma tentativa de conter o agravamento da crise no Líbano.   Segundo a agência Irna, o embaixador iraniano, Hassan Shaibani, pediu, em uma conversa telefônica com seu homólogo saudita, a "intensificação dos esforços conjuntos para reduzir a atual tensão no Líbano". Shaibani disse que transmitiu ao embaixador saudita, Abdel Aziz Khoja, a exigência do Hezbollah para que o primeiro-ministro libanês, o sunita Fouad Siniora, suspenda a decisão do Executivo de desmontar a rede de comunicações do Hezbollah.   Foto: Reuters O diplomata iraniano previu, no entanto, que "a situação se complicará ainda mais no Líbano, enquanto o grupo que está no governo insistir em não reconsiderar sua posição". O Irã, país cuja população é em sua maioria xiita, constitui junto à Síria o principal apoio do Hezbollah. Ambos os países consideram que essa milícia é um "movimento da resistência" contra Israel.   Teerã e Damasco são acusados pelo Ocidente e por vários países árabes, como o Egito e a Arábia Saudita, de não ajudarem a fazer com que seus aliados libaneses flexibilizem sua postura para solucionar a crise política e pôr fim ao vazio presidencial vivido no Líbano. O regime xiita de Teerã ainda não comentou os choques em Beirute e em outras cidades libanesas.   A Arábia Saudita, com especial influência entre os muçulmanos sunitas, pediu hoje aos diferentes grupos libaneses que usem a razão, e acusou as "forças extremistas estrangeiras" de impedir uma solução para a crise.   ONU   O Conselho de Segurança das Nações Unidas insistiu nesta quinta que conflitos os grupos xiitas e sunitas sejam contidos, e apelou aos partidos políticos para buscar uma solução à crise que assola o Líbano.   Em uma declaração lida pelo presidente da sessão, o embaixador britânico John Sawers, o órgão expressou sua preocupação pelos enfrentamentos. "Os membros do Conselho de Segurança pedem que todas as partes exerçam a calma e a contenção, e pede a reabertura imediata de todas as estradas", diz o comunicado.     (Matéria atualizada às 18h05)  

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