Conheça os principais candidatos a premiê de Israel

O líder do partido de direita Likud, Benjamin Netanyahu, aparece como favorito nas eleições parlamentares

Agências internacionais,

06 de fevereiro de 2009 | 08h00

 Conheça os líderes dos principais partidos israelenses e que podem se tornar o próximo chefe de Estado de Israel com as eleições parlamentares de terça-feira, 10 de fevereiro:   Benjamin Netanyahu   Benjamin Netanyahu, líder do partido direitista Likud, se perfila como o próximo chefe de governo de Israel depois de três anos nas sombras, esperando pela oportunidade de voltar ao poder do país. Primeiro colocado nas pesquisas, Netanyahu, conhecido como Bibi pelos amigos e inimigos, liderou o país por três anos entre 1996 e 1999. Seu mandato, porém, durou pouco. Ele foi forçado a deixar o cargo ao antecipar as eleições em 17 meses. Desde então, sua atuação se voltou cada vez mais à direita.   O político de 58 anos foi ainda chanceler e, durante a campanha eleitoral, manteve-se confiante com a liderança nas sondagens. Nada parece fazer com que se repita a última votação de 2006, quando o Likud sofreu o pior resultado de sua história ao obter apenas 15 deputados.   A população parece ter deixado de lado sua política instável e os escândalos de corrupção que viveu enquanto foi premiê. Netanyahu e sua mulher foram alvo de investigação, acusados de roubo e suborno. Entre outras coisas, Netanyahu foi acusado de ficar com dezenas de presentes que deveriam ter sido devolvidos ao Estado. Ele negou todas as acusações e o processo acabou arquivado por falta de provas.   A trajetória errática seguida pelo se ex-companheiro de partido, Olmert, que deixa o cargo por quatro processos de suspeita de corrupção, colaboraram para dissipar a memória do eleitorado. Essas circunstâncias, além de "duas guerras em três anos" - como ressalta o Likud, em referência ao conflito contra o Líbano e a recente ofensiva em Gaza - abriram caminho para o retorno de Netanyahu.   Quando adolescente, sua família se mudou para os Estados Unidos, onde ele terminou os estudos. De volta a Israel, Bibi passou cinco anos no Exército como capitão de uma unidade de elite. Ao deixar a carreira militar, Netanyahu retornou aos Estados Unidos, onde estudou em Harvard e no Massachussets Institute of Technology (MIT). Em 1981, ganhou um posto na embaixada americana em Washington, onde era amigo do embaixador Moshe Arens. Posteriormente, tornou-se embaixador de Israel nas Nações Unidas.   Os postos diplomáticos o tornaram figura frequente na TV americana e conhecida no país por defender os interesses de Israel. Somente ao retornar a Israel, em 1988, ele ingressou na política doméstica. Foi eleito para uma cadeira no Parlamento e nomeado vice-ministro das Relações Exteriores. Foi ministro da Economia de Sharon a partir de 2003 -- suas reformas econômicas são vistas por muitas pessoas como responsáveis pelo crescimento.   Conhecido por sua intransigência em relação às reivindicações palestinas, Netanyahu não contempla em seu discurso público a criação de um Estado palestino. O líder do Likud é defensor da promoção de "relações comerciais" entre Israel e os palestinos, como alternativa à postura de Livni de negociar com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), do moderado Mahmoud Abbas, a criação de um Estado na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.   Tzipi Livni   Tzipi Livni, segundo lugar nas pesquisas, colocou em jogo o seu futuro político após renunciar à formação de um governo de coalizão há três meses com o argumento de "fazer outro tipo de política". Chanceler israelense desde 2006, Livni pode estar em apuros se perder a eleição convocada por ela em outubro, quando falhou em formar um governo de coalizão para manter o Kadima no poder após a renúncia de Ehud Olmert por suspeitas de corrupção.   A decisão de enfrentar as eleições impulsionou Livni nas pesquisas, que até então davam larga liderança ao Likud. Três meses depois e após a ofensiva em Gaza, sua integridade política, sua integridade foi desconsiderada durante a campanha eleitoral por problemas mais recentes. A capacidade da chanceler em governar um mundo de homens e militares é o principal questionamento contra ela, além da crise econômica e o processo de paz com os palestinos. Seus críticos dizem que ela não tem a experiência militar e política para conduzir o país.   Tzipi Livni é principal negociadora com os palestinos. Formada em direito, a atual líder do Kadima foi agente do Mossad por quatro anos e iniciou sua carreira política em 1999, quando foi eleita no Parlamento. Como chanceler, Livni, de 50 anos, liderou o diálogo para a paz com os palestinos apoiado pelos Estados Unidos - que até agora falhou em atingir um acordo. Advogada de direito comercial antes de entrar na carreira política, casada com um próspero empreendedor, a ministra provavelmente manterá as políticas de livre mercado do atual governo. Se for eleita, a ministra de 50 anos será a primeira premiê israelense desde Golda Meir, que assumiu o cargo na década de 1970   Dona de uma imagem de honestidade e apelidada de "Senhora Limpa" por um colunista israelense, muitos esperam que seu possível mandato como premiê seja uma antítese do governo do atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, político veterano que está sendo investigado por um escândalo de corrupção que agora o obriga a renunciar. Já outros israelenses descrevem Livni como um produto de uma máquina política patrocinada por associados de seu marido empresário, e questionam se ela será capaz de trazer alguma mudança ao país.   Seu pai, Eitan, liderou um combate armado na década de 1940 que buscava o controle judeu de toda a Palestina, que ia contra a partilha que o então território britânico tinha estabelecido com os árabes. Apesar de seu pedigree, muitos israelenses questionam se ela estaria pronta para enfrentar os muitos desafios de segurança de Israel. "Ela terá que provar que não é delicada, mas pode liderar a nação em tempos de guerra sem parecer ser um boneco do ministro da Defesa Ehud Barak", afirmou Aluf Benn, comentarista do jornal israelense Haaretz.   Ehud Barak   Ministro da Defesa desde 2007, Ehud Barak, de 66 anos, chefiou o Estado-Maior, comandou Netanyahu e é o militar mais condecorado de Israel. Barak, que nasceu em 1942 na Palestina sob mandato britânico, é um militar convertido em político e diplomata - foi ministro de Relações Exteriores (de 1995 a 1996), e é matemático, físico e excelente pianista. Após uma carreira militar brilhante de mais de 30 anos, que concluiu em 1991 como comandante do Exército, o agora líder trabalhista entrou na política no início de 1995, quando foi designado ministro do Interior pelo então primeiro-ministro Yitzhak Rabin.   Barak (cujo nome em hebraico significa "trovão"), ganhou fama em 1973, quando, disfarçado de mulher, participou de um ataque em Beirute, no qual três líderes da OLP foram mortos. Ele não rejeita a criação de um Estado palestino - que, para ele, já foi efetivamente estabelecido. Barak foi um protegido do ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin, que foi assassinado por um judeu ultranacionalista em 1995. Ele ainda sucedeu o ex-premiê e atual presidente israelense, Shimon Peres, como líder do Partido Trabalhista desde 1999.   Durante o curto período em que foi premiê (1999-2001), Barak acabou com os 22 anos da ocupação militar israelense no sul do Líbano, mas sem um acordo de paz - o que abriu precedentes para a guerra com o Hezbollah, em 2006. A segunda intifada de Al-Aqsa (uma onda de violência dos palestinos contra Israel) começou em seu governo, seguindo até 2006.

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