Conselho da ONU aprova novas sanções ao Irã

O Conselho de Segurança da ONUimpôs na segunda-feira uma terceira rodada de sanções ao Irãpor causa da recusa do país em suspender atividades nuclearesestratégicas. Houve 14 votos a favor e uma abstenção (daIndonésia). A resolução estabelece novas restrições financeiras e deviagens a determinados indivíduos e empresas do Irã, e tornaalgumas restrições compulsórias. Os dois pacotes anteriores desanções haviam sido aprovados em dezembro de 2006 e março de2007. Teerã rejeita as suspeitas ocidentais de que estariadesenvolvendo armas nucleares e já ignorou três resoluçõesprévias do Conselho, que exige o fim do seu programa deenriquecimento de urânio, uma atividade que pode gerarcombustível para usinas civis, mas também para bombas atômicas. Os cinco membros permanentes do Conselho -- Estados Unidos,Grã-Bretanha, França, China e Rússia -- mais a Alemanha, quenão está no Conselho, mas participa das negociações com o Irã,haviam concordado em 22 de janeiro com uma proposta queestabelecia o terceiro pacote de sanções à República Islâmica. Washington esperava que o texto fosse rapidamente votado,mas as negociações se arrastaram por um mês e meio, atésegunda-feira. Líbia, Vietnã, África do Sul e Indonésia tinham restrições,mas o poderoso "lobby" ocidental reverteu a posição dos trêsprimeiros. O Irã disse que a resolução viola o direito internacional eabala a credibilidade do Conselho de Segurança, que se torna"uma mera ferramenta da política externa nacional de apenas unspoucos países", segundo o embaixador do país na ONU, MohammadKhazaee. Ele insistiu no caráter pacífico do programa nuclear e nafalta de base jurídica para as sanções. Em nota em nome dos cinco membros permanentes e daAlemanha, o embaixador britânico na ONU, John Sawers, disse aoConselho que o grupo espera que o chefe da política externaeuropéia, Javier Solana, se encontre em breve com o negociadornuclear do Irã, Saeed Jalili, para tentar resolver o impasse. Já estava claro desde janeiro que haveria novas sanções,uma vez que havia apoio dos cinco membros permanentes (que têmdireito a veto) e de 6 dos 10 membros temporários. Mas os três países europeus que patrocinaram a resolução(Grã-Bretanha, França e Alemanha) preferiam uma aprovaçãounânime, que teria mais força política. África do Sul, Líbia, Indonésia e Vietnã questionavam aconveniência de impor novas sanções num momento em que a AIEA(agência nuclear da ONU) aponta uma melhora significativa nacooperação iraniana. (Reportagem adicional de Patrick Worsnip nas Nações Unidase Parisa Hafezi em Teerã)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.