Conselho de Segurança deve se reunir para discutir sobre o Irã

Chanceler russo demonstrou que Moscou pode adotar postura mais rígida para lidar com programa nuclear

Reuters,

05 de fevereiro de 2010 | 11h13

Os membros do Conselho de Segurança da ONU discutirão a situação do Irã se a República Islâmica não agir de acordo com as normas internacionais sobre seu controvertido programa nuclear, informou nesta sexta-feira, 5, o ministro de Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

 

Durante uma entrevista à imprensa junto do ministro de Exteriores alemão, Guido Westerwelle, em Berlim, Lavrov admitiu que Moscou está pronta para adotar uma postura mais dura em relação ao Irã. "Em certas situações, se nós não recebermos uma resposta construtiva do Irã, provavelmente retemos que discutir o assunto no Conselho de Segurança", disse Lavrov.

 

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O Irã corre o risco de sofrer com um quarto pacote de sanções do órgão da ONU por conta de seu programa de enriquecimento de urânio, que os países do Ocidente acreditam ter finalidades bélicas. Teerã nega tais acusações e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos e civis.

 

Mais cedo, Westerwelle havia dito que o Irã tem usado táticas para ganhar tempo em vez de tomar ações que poderiam ajudar a resolver o a questão. "Nos últimos dois anos, o Irã blefou e usou artimanhas. Eles ganharam tempo e claro que nós não podemos aceitar um Irã dono de armas nucleares", disse o alemão.

 

O maior órgão de segurança internacional é formado por Rússia, EUA, China, Reino Unido e França, e todas as decisões tomadas pelo conselho devem ser unânimes, já que todos os países têm poder de veto. A China e a Rússia, porém, tradicionalmente tem adotado uma política menos rígida com o Irã, já que são próximos do país e demonstraram relutância sobre a possibilidade de aplicar novas sanções. As declarações de Lavrov, porém, mostram uma mudança na postura russa sobre a questão.

 

Na terça-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que seu país estava pronto para enviar urânio ao exterior e receber de volta combustível pronto para ser usado em um reator de pesquisas, mas não para armas, segundo o acordo proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

 

Na quinta-feira, a China mostrou-se relutante sobre a imposição de sanções ao Irã e disse preferir "dar mais tempo ao diálogo".

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