Conselho de Segurança não define postura sobre Gaza

Membros do Conselho se mantêm 'distanciados' em relação à proposta de declaração crítica a Israel

Efe,

23 de janeiro de 2008 | 01h54

O Conselho de Segurança da ONU não chegou a um acordo na reunião desta terça-feira, 22, para definir sua posição sobre o fechamento imposto por Israel às passagens fronteiriças da Faixa de Gaza. O presidente de turno do Conselho, o embaixador líbio Giadalla Ettalhi, assinalou que os 15 membros do Conselho se mantêm "distanciados" em relação à proposta de declaração crítica a Israel, apresentada pelos países árabes. "Alguns disseram que têm de consultar seus governos, mas muitos afirmaram que a aceitam como base de discussão", indicou. Ettalhi acrescentou que o Conselho retomará nesta quarta-feira as discussões com a meta de acordar algum texto. A minuta proposta pelos países árabes manifesta a "profunda preocupação" do Conselho de Segurança sobre "a situação humanitária em Gaza". Também pede que Israel "cumpra suas obrigações em relação às leis internacionais, incluindo as humanitárias e de direitos humanos, e cesse imediatamente todas as suas medidas ilegais" contra a população civil palestina. O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Zalmay Khalilzad, assegurou que o texto era "inaceitável", porque não fazia menção aos contínuos lançamentos de foguetes contra o sul do Estado judeu, o que teria provocado as medidas adotadas por Israel. Fontes diplomáticas européias reconheceram seu descontentamento com o conteúdo da minuta e disseram que ela precisa ser "equilibrada". Antes da reunião, houve um debate aberto no Conselho de Segurança, que contou também com a participação de representantes de Israel e da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Os 15 membros do principal órgão da ONU criticaram em seus discursos o isolamento sofrido pela população de Gaza, que foi qualificado repetidamente como um "castigo coletivo inaceitável". O embaixador do Reino Unido, John Sawers, assegurou em seu pronunciamento que seu país reconhece a necessidade de segurança de Israel, mas assegurou que "não é aceitável adotar ações que têm como alvo a população civil". No entanto, o embaixador dos Estados Unidos preferiu centrar seu discurso nos bombardeios contra povoados do sul de Israel com foguetes Qassam, de autoria do movimento radical islâmico Hamas, que foi responsabilizado pela atual crise. "Não devemos perder a perspectiva de como se chegou a esta situação", indicou Khalilzad. Israel fechou em 18 de janeiro todas as passagens fronteiriças a Gaza, mas nesta terça-feira, 22, permitiu o transporte de combustível para fornecer eletricidade à população palestina.

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