Conselho de Segurança termina reunião sem acordo sobre Gaza

Negociações diplomáticas prosseguem em encontros de Sarkozy e Livni e entre líderes do Egito e Turquia

Agências internacionais

01 de janeiro de 2009 | 06h53

                                    NOVA YORK - O Conselho de Segurança da ONU concluiu nesta quinta-feira, 1, uma reunião de urgência sobre os ataques aéreos de Israel a Faixa de Gaza sem chegar a um acordo a respeito de um projeto de resolução apresentado pela Líbia, que pede a cessação imediata das operações  israelenses. Veja também: Israel recusa apelos por trégua e mobiliza tropas Israel coloca vídeos de ataques no YouTube  Lapouge: Israel quer restabelecer orgulho militar   Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques   O texto apresentado pela delegação líbia em nome dos países árabes foi rejeitado pelas potências ocidentais, que o consideram desequilibrado por não fazer referência ao Hamas. "Apelo ao Conselho de Segurança que atue de forma rápida para que não dê espaço a outra Srebenica e Ruanda", disse o embaixador líbio perante a ONU, Giadalla Ettalhi, após apresentar o texto junto às Nações Unidas.O projeto de resolução líbio pedia o fim imediato das operações militares de Israel na Faixa de Gaza, exigia que acabasse o bloqueio ao território palestino e condenava as ações israelenses por considerá-las responsáveis pelo conflito."A resolução, tal como a distribuiu a Líbia, não é equilibrada e, portanto, os Estados Unidos não podem aceitá-la", assegurou o embaixador americano perante a ONU, Zalmay Khalilzad, na saída da reunião. O diplomata americano frisou que seu país considera que "somente um enfoque equilibrado do conflito pode facilitar que se chegue a uma resolução".Postura similar foi adotada pelo embaixador do Reino Unido perante a ONU, John Sawers. "Uma resolução efetiva deve conseguir um amplo apoio do Conselho de Segurança e para isso deve refletir a   responsabilidade de todas as partes", apontou.Representantes de vários países árabes disseram na saída da reunião estarem dispostos a negociar o conteúdo do texto líbio com o propósito de conseguir um cessar-fogo da forma mais breve possível. "Nossa meta é pôr fim ao ataque contra nosso povo", apontou o representante da Autoridade Nacional Palestina (ANP) perante a ONU, Riad Mansur.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao governo de Israel e ao movimento islâmico Hamas que escute "o pedido mundial" para que se declare um cessar-fogo em Gaza. "Quero ressaltar da maneira mais firme possível o pedido mundial a um cessar-fogo imediato que seja respeitado por todas as partes", assegurou Ban. O secretário-geral identificou a "irresponsabilidade" mostrada pelo Hamas e a ofensiva "desproporcional" de Israel como os fatores responsáveis pelo conflito.Ban pediu ainda que se ponha fim imediatamente ao lançamento de foguetes do Hamas contra o sul de Israel e ao bombardeio israelense em território palestino, que já custou a vida de cerca de 400 pessoas. Segundo ele, a comunidade internacional, e particularmente os países com influência no conflito, "não fizeram o suficiente ainda e é necessário que atuem de forma urgente".As negociações diplomáticas por um cessar-fogo em Gaza devem continuar nesta quinta. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, se encontra com a ministra das relações exteriores de Israel, Tzipi Livni. O presidente egípcio Hosni Mubarak se reúne com o premiê turco Recep Tayyp Erdogan.

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