Conselho de Segurança vota sábado novas sanções contra o Irã

Resolução estabelece proibições de viagem para pessoas relacionadas com o programa nuclear

Efe,

29 de fevereiro de 2008 | 00h25

O Reino Unido e a França anunciaram nesta quinta-feira, 28, que no próximo sábado proporão a votação no Conselho de Segurança da resolução com uma terceira rodada de sanções contra o Irã por sua recusa em deter o enriquecimento de urânio. O embaixador britânico na ONU, John Sawers, afirmou na saída de uma reunião que os responsáveis "passarão a limpo" o documento na sexta-feira para que possa ser votado no dia seguinte de forma urgente. "Estivemos reunidos nos últimos períodos do processo e podemos dizer que contamos com um amplo apoio", indicou Sawers em companhia do embaixador adjunto francês, Jean-Pierre Lacroix. A resolução redigida pelo Reino Unido, França e Alemanha estabelece proibições de viagem para pessoas relacionadas com o programa nuclear iraniano, assim como maiores controles sobre as transações comerciais e financeiras da República Islâmica. Sawers assegurou que o documento poderia ter sido aprovado nesta quinta por maioria, mas preferiu-se dar mais tempo aos países que ainda não o apoiaram para que possam propor mudanças e pedir esclarecimentos. Fontes diplomáticas garantiram que, dentre os 15 membros do Conselho, os países reticentes a adotar a resolução são Líbia, África do Sul, Indonésia e Vietnã. O embaixador indonésio perante as Nações Unidas, Marty Natalegawa, indicou que seu país ainda "não está convencido de que as sanções sejam a melhor maneira de proceder". No entanto, o texto conta com o apoio dos cinco membros permanentes do principal órgão (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido), por isso pode ser adotado por maioria sem se preocupar com o veto. O embaixador do Irã perante a ONU, Mohammad Khazee, afirmou que a adoção das novas sanções não teria impacto sobre a economia ou a política de Teerã. Pouco antes de começar a reunião desta quinta do Conselho de Segurança, o diplomata iraniano assegurou em entrevista coletiva que o programa nuclear que seu país desenvolve é "pacífico e sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)". "Não vemos um grande impacto na economia ou na política" do Irã caso as novas sanções sejam adotadas, disse Khazee acrescentando que os iranianos hão de aprender a viver sob estas circunstâncias. O último relatório da AIEA sobre o programa iraniano divulgado no dia 22 de fevereiro confirmou que Teerã não interrompeu o enriquecimento de urânio, como havia sido exigido pelo Conselho de Segurança devido à preocupação de que o país possa utilizá-lo para fabricar armas nucleares. Diante das dúvidas que permanecem em relação ao projeto desenvolvido pelo Irã, pediu-se ao país que permita visitas sem aviso prévio em qualquer instalação nuclear do país para gerar confiança sobre o alcance e a natureza de seu programa nuclear. Confirmou que o Irã iniciou a pesquisa e desenvolvimento de uma nova geração de centrífugas.

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