Conselho líbio recebe recursos e reafirma meta democrática

Rebeldes terão US$ 15 bi para reconstruir país; União Europeia rescindiu série de sanções

CHRISTIAN LOWE E MOHAMMED ABBAS, REUTERS

02 Setembro 2011 | 11h29

TRÍPOLI - Os novos líderes da Líbia reafirmaram nesta sexta-feira, 2, seu compromisso com a democracia e a boa governança enquanto analisavam como gastar os bilhões de dólares recebidos após o descongelamento no exterior dos bens do ex-dirigente Muamar Kadafi, que está foragido.

   

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Um dia depois de as potências internacionais terem se reunido em Paris e concordado em entregar 15 bilhões de dólares aos rebeldes que depuseram Kadafi na semana passada, a União Europeia, importante parceiro comercial do país, rescindiu uma série de sanções contra a Líbia e as autoridades do Conselho Nacional de Transição (CNT) informaram a seus financiadores seus planos de reconstrução nacional.

 

 

O representante do CNT em Londres, Guma el-Gamaty, disse que o trabalho de consertar os danos causados por 42 anos do governo de um homem excêntrico e seis meses de guerra civil não deve esperar até que Kadafi seja encontrado e os últimos bastiões que o apoiam sejam derrotados.

"Enquanto Trípoli, a capital, estiver estabilizada, segura e a salvo, o que é quase certo agora, assim como a esmagadora maioria de outras cidades e vilas, os líbios poderão prosseguir com o processo de estabilização e transição, e o novo processo político", declarou Gamaty à BBC.

Em Benghazi, no leste do país e berço do levante contra o regime de Kadafi, uma autoridade do CNT, falando sob anonimato, afirmou que a liberação de recursos pelas potências ocidentais que os apoiam com bombardeios aéreos da Otan significa que agora o CNT tem de mostrar aos líbios que é capaz de governar.

"Antes, quando as coisas iam mal, tínhamos a desculpa de que não tínhamos dinheiro", disse ele. "Agora não temos essa desculpa."

Gamaty reafirmou o compromisso do conselho com um documento que estabelece as bases do que ele chamou de "mapa da estrada" para a democracia, o qual inclui a redação de uma Constituição em oito meses, um referendo e eleições gerais em 2013.

"No fim de cerca de 20 meses o povo líbio terá escolhido os líderes que deseja que dirijam o país", afirmou. 

Escolas reabrem 

Em Trípoli, moradores estão começando a saborear o retorno à vida normal. Um grupo de funcionários públicos recolhia o lixo e restos de munição na Praça dos Mártires, que no regime de Kadafi era chamada de Praça Verde.

Combatentes do CNT removeram alguns dos bloqueios de uma rodovia importante ao longo da costa e mais lojas de alimentos abriram, embora o suprimento de água e energia continue instável.

O CNT colocou um anúncio num cartaz: "Por uma Líbia livre e unida". Entre outros avisos, estava um pedido de não disparar para o alto em celebrações. Ocasionalmente, ainda se ouvem tiros na cidade.

O chefe do setor de educação do CNT, Soliman el-Sahli, disse à Reuters que as escolas da Líbia vão reabrir no dia 17 de setembro, apesar de algumas salas de aula terem sido atingidas por bombas, o transporte ser escasso e o currículo estar baseado no "Livro Verde" de Kadafi -- um eclético relato de sua visão de mundo.

Não está claro quando começará o processo de instalação de um Parlamento e um presidente eleito. O documento do CNT diz que começará essa fase assim que declarar a Líbia "liberada" de Kadafi. Seus líderes dizem que a guerra não terminará enquanto ele não for encontrado "vivo ou morto".

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