Contra terrorismo, Iêmen deixa de emitir vistos em aeroportos

País virou o centro das atenções após nigeriano que tentou explodir avião disse ter sido treinado pela Al-Qaeda

Agência Estado e Associated Press,

21 de janeiro de 2010 | 12h26

O governo do Iêmen anunciou nesta quinta-feira, 21, que interromperá a concessão de vistos de entrada no país em seus aeroportos internacionais. Segundo a agência estatal Saba, a intenção da medida é "interromper a infiltração terrorista" no país.

 

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A medida é tomada em um momento de aumento da pressão sobre o Iêmen, para que enfrente a Al-Qaeda na Península Arábica. O grupo ocupa posições em montanhas a leste da capital, Sanaa, e é acusado de ser responsável pela frustrada tentativa de atentado em 25 de dezembro em um avião americano que seguia para Detroit.

 

"O Iêmen parou de conceder vistos em seu aeroporto para interromper a infiltração terrorista", afirmou a Saba. Uma autoridade militar afirmou que, após a decisão, os vistos seriam concedidos apenas através das embaixadas do Iêmen e após consultas a autoridades de segurança, para verificar as identidades dos viajantes.

 

O militar afirmou que dessa forma se "evita a infiltração de quaisquer elementos terroristas suspeitos". As declarações dele foram divulgadas pelo jornal oficial do Ministério da Defesa local.

 

Seis aeroportos no Iêmen recebem voos internacionais. Ainda não foi especificado se a medida se aplica a todas as nacionalidades ou se há exceções.

 

Mais cedo nesta semana, o Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA divulgou um relatório advertindo que a Al-Qaeda na Península Arábica pode ter treinado mais de 30 cidadãos americanos que se converteram ao islamismo na prisão. Os americanos viajaram ao Iêmen após ficarem livres, afirmando que estudariam árabe, mas possivelmente para treinamento da Al-Qaeda", afirma o relatório, citando fontes do

setor de segurança.

 

Pelas normas anteriores, essas pessoas poderiam entrar no Iêmen automaticamente, sem checagens anteriores. O relatório afirma que não há provas de qualquer ação terrorista desses ex-presos, mas nota que vários deles ficaram "fora do radar por algumas semanas", durante as quais poderiam, por exemplo, ter recebido treinamento com insurgentes.

 

Funcionários americanos estão em alerta por causa da potencial ameaça de extremistas com passaportes dos EUA, que poderiam voltar ao país para realizar atentados. O mais famoso entre esses potenciais extremistas é o imã radical Anwar al-Awlaqi, que tem cidadania americana e iemenita. Nascido no Novo México, Awlaqi provavelmente está na parte leste do território do Iêmen, onde sua família vive.

 

Um assessor da Casa Branca acusou anteriormente Awlaqi de manter vínculos com o major Nidal Hasan, acusado de ter matado a tiros 13 pessoas em uma base militar no Texas, em novembro. O assessor é John Brennan, que atua com contraterrorismo e segurança interna. Segundo Brennan, Awlaqi pode ter tido contato com o homem acusado de tentar explodir um avião dos EUA em 25 de dezembro, Umar Farouk Abdulmutallab.

 

As autoridades dos EUA também se preocupam com outros dez americanos, sem cidadania iemenita, com cabelos louros e olhos azuis, que viajaram ao país islâmico, tornaram-se fundamentalistas e se casaram com mulheres iemenitas. Segundo fontes de Washington, esses homens estariam dentro do perfil de cidadão americano que a Al-Qaeda busca recrutar.

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