Lucas Dolega/Efe
Lucas Dolega/Efe

Conversações indiretas com Israel não têm progresso, diz premiê palestino

Segundo Salam Fayyad, não há justificativas para que diálogo direto seja iniciado

Reuters,

01 de julho de 2010 | 21h29

PARIS- As conversações de paz indiretas entre Israel e autoridades palestinas ainda não tiveram progresso suficiente para o início de diálogos diretos, disse nesta quinta-feira, 1, o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, em visita à França.

 

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As negociações mediadas pelos Estados Unidos iniciadas em maio estão prestes a completar quatro meses sem que os diplomatas americanos tenham conseguido fazer com que os dois lados sentem à mesma mesa.

 

"Nós ainda temos que ver o tipo de progresso que seria viável para justificar a consideração de conversações diretas", disse Fayyad a repórteres, após uma reunião sobre ajuda humanitária com autoridades europeias. "A questão não é na verdade sobre se as conversas devem ser diretas ou indiretas, mas sim sobre o progresso político".

 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou recentemente que quer tornar o diálogo com os palestinos direto, "sem mais atraso e sem precondições", e espera-se que o assunto deva ser discutido em sua próxima reunião com o presidente Barack Obama em Washington, na semana que vem.

 

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, tem pressionado pelo congelamento da construção de assentamentos judeus em Jerusalém Oriental antes de negociações diretas com Israel. Ele também pediu mais ações de Netanyahu na fronteira e na área de segurança.

 

O ministro de Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, também presente na reunião em Paris, disse que se as negociações entre Israel e os palestinos levarem a lugar nenhum, líderes árabes irão pressionar pela criação de um Estado palestino na ONU.

 

"Se as conversas de aproximação não tiverem resultados até setembro, então os ministros de Exteriores da Liga Árabe iriam concordar sobre a necessidade de agir no Conselho de Segurança da ONU", disse Gheit. "O Estado não deve ser adiado ao longo do ano. Quem deve decidir? O Quarteto não é suficiente, o Conselho de Segurança é o foro", acrescentou.

 

O Quarteto de mediadores para o Oriente Médio - formado pela ONU, Rússia, Estados Unidos e União Europeia - também estão envolvidos na tentativa de mediar um acordo de paz no Oriente Médio.

 

O enviado do grupo, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, disse a repórteres que iria retornar à região na semana que vem, e que espera um esclarecimento muito em breve por parte de Israel sobre o bloqueio do país a faixa de Gaza.

 

Israel concordou em aliviar o bloqueio ao território costeiro por pressão internacional, após um ataque israelense contra uma flotilha que levava ajuda humanitária e ativistas pró-palestinos. A represália aconteceu no dia 31 de maio como uma resposta aos ataques com foguetes lançados pelo Hamas contra seu território, justificou o governo israelense.

 

Israel mantém o bloqueio a Gaza desde 2007, quando o Hamas tomou o controle do território à força. O governo israelense impões restrições de viagens e entrada de ajuda à Faixa de Gaza. Israel atualmente só permite a entrada de ajuda humanitária a Gaza através de pontos controlados na fronteira terrestre entre os territórios, embora tenham tomado medidas para aliviar o embargo.

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