Conversas nucleares entre Ocidente e Irã empacam e podem ser estendidas

O prazo para resolver uma disputa que se arrasta por 12 anos sobre o programa nuclear do Irã pode ser estendido até março, em meio a profundos desacordos entre Teerã e as potências ocidentais, disseram autoridades próximas às negociações nesta quinta-feira.

LOUIS CHARBONNEAU E PARISA HAFEZI, REUTERS

20 de novembro de 2014 | 17h24

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, chegará a Viena para que Washington e seus aliados esperam ser o ponto alto de meses de difícil diplomacia entre o Irã e Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China. 

O objetivo é remover as sanções sobre Teerã em troca de reduções em seu programa nuclear, mas as conversas há tempos estão travadas: o cronograma para a suspensão das punições e o escopo futuro do enriquecimento de urânio do Irã são tópicos que empacam o avanço de um acordo. 

O chefe nuclear da ONU, Yukiya Amano, salientou nesta quinta-feira outro impasse: o Irã ainda tem que explicar uma suspeita de pesquisas sobre a bomba atômica para a agência nuclear das Nações Unidas, uma das condições que as seis potências impõem para abandonar as sanções.

“Importantes pontos de diferença permanecem”, disse o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, em uma coletiva de imprensa conjunta com Kerry, que o encontrou em Paris a caminho de Viena ainda nesta quinta-feira. 

A mais recente rodada de conversas entre os lados começou na terça-feira e deve durar até o auto-imposto prazo final para que um acordo seja alcançado, determinado para 24 de novembro.

“Algum tipo de acordo interino neste ponto é provável, ou talvez, na melhor das hipóteses, um acordo, até segunda-feira, sobre os pontos que precisam ser trabalhados nas próximas semanas e meses”, disse um diplomata ocidental em condição de anonimato. 

O vice-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Tony Blinken, disse nesta semana que um acordo compreensivo seria difícil, mas não impossível, de ser alcançado até segunda-feira. O secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Philip Hammond, disse não estar otimista, mas que pode haver maneiras de estender o prazo final. 

Um alto representante iraniano tinha expectativas similares. 

"Precisamos de mais tempo para resolver questões técnicas e não esquecer que o cronograma para suspender as sanções ainda é uma grande disputa”, disse o iraniano, acrescentando que uma extensão até março era uma possibilidade. 

Representantes ocidentais também sugeriram que março era uma opção, com a volta das conversas esperada para janeiro. 

Eles acrescentaram, no entanto, que o Irã e as seis potências ainda não estavam discutindo uma extensão ainda e tentariam fechar um acordo até o prazo final - o qual já foi estendido, antes marcado para julho. 

Mais conteúdo sobre:
IRANUCLEARNEGOCIACOES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.