Conversas sobre Líbano progridem no Catar, barreiras persistem

Líderes libaneses rivais deram progressosno sentido de encerrar a crise política do país neste domingo,mas discordâncias sobre as armas do Hezbollah permaneceram comoa grande barreira para um acordo mediado pelo Catar. O emir do Catar, xeique Hamad bin Khalifa al-Thani,participou do terceiro dia de conversas, encontrando-se commembros da coalizão apoiada pelos Estados Unidos e da oposiçãoliderada pelo Hezbollah para resolver as diferenças entre aspartes. Delegados disseram que o xeique Hamad aproximou oprimeiro-ministro, Fouad Siniora, e o presidente do Parlamento,Nabih Berri, um importante líder oposicionista, pela primeiravez em 18 meses, como parte dos esforços para resolver a criseque deixou o Líbano sem presidente e levou o país para perto deuma guerra civil. Os delegados disseram que as diferenças estavam lentamentediminuindo sobre os dois principais assuntos do encontro: umanova lei eleitoral e a divisão de poder no governo. Mas as conversas ainda podem fracassar devido a umaexigência da coalizão de governo por garantias claras de que oHezbollah, que é apoiado por Irã e Síria, não usaria suas armascontra eles novamente, e que o futuro dessas armas sejadebatido no Líbano em breve. Mediadores árabes chegaram a um acordo na quinta-feira paraencerrar o pior conflito interno no Líbano desde a guerracivil, que durou de 1975 a 1990. Na recente onda de violência,o Hezbollah combateu apoiadores do governo e brevemente tomoualgumas regiões de Beirute. Pelo menos 81 pessoas foram mortas nos conflitos, queagravaram tensões sectárias entre xiitas leiais ao Hezbollah edruzos e sunitas apoiadores da coalizão de governo. O destinodas armas do Hezbollah não está no cronograma de debates deDoha. O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, StephenHadley, disse que as conversas de Doha devem ter como objetivocontrolar o Hezbollah e apoiar o governo. "Isso pode levar aofim da paralisação política, mas apenas se não premiarem oHezbollah, e se o grupo apoiar o governo eleito", afirmou. MOMENTO DECISIVO Apesar do delicado assunto sobre as armas do grupo, asconversas parecem ter progredido neste domingo. Um comitê deseis membros criado no sábado para traçar a estrutura de umanova eleição obteve progressos e agora está trabalhando em comodividir Beirute eleitoralmente. "Acho que resolvemos 90 por cento das barreiras para umanova lei eleitoral. Ainda há alguns obstáculos sobre oseleitorados", afirmou Amin Gemayel, um ex-presidente e membroda coalizão de governo. O premiê do Catar, xeique Hamad bin Jassim bin Jabral-Thani, ainda precisa obter aprovação final sobre o formatode um novo governo, mas fez várias propostas, incluindo umapara dividir os assentos igualmente entre os rivais, disseramdelegados. A oposição quer mais voz em um gabinete controlado porfacções que se opõem à influência Síria no Líbano. Leis eleitorais sempre foram um assunto delicado no Líbano,uma miscelânea de seitas religiosas onde o redesenho deeleitorados pode ter um impacto dramático nos resultados dasvotações. (Por Lin Noueihed; Reportagem adicional de Tom Perry emBeirute e Ayat Basma em Doha)

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