Mahmud Hams/AFP
Mahmud Hams/AFP

Corpo de Arafat pode ser exumado por suspeita de envenenamento

Solicitação para que restos mortais fossem retirados do mausoléu partiu da viúva

Reuters, Reuters

04 de julho de 2012 | 09h56

TEL-AVIV - A Autoridade Palestina concordou nesta quarta-feira, 4, em exumar o corpo de Yasser Arafat, após novas acusações de que o líder palestino teria sido envenenado com o elemento radiativo polônio-210, em 2004. Uma comissão internacional irá investigar o caso.

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A solicitação para que os restos mortais de Arafat fossem retirados do seu mausoléu na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, partiu da viúva, Suha Arafat.

Um instituto suíço examinou as roupas fornecidas por ela, como parte de uma investigação realizada pelo canal Al Jazeera. Foram encontrados níveis "surpreendentemente altos" de polônio-210, embora os sintomas descritos nos boletins médicos de Arafat não fossem consistentes com esse agente radiativo.

"A Autoridade, como sempre, está disposta a cooperar completamente e a liberar o caminho para uma investigação sobre as verdadeiras causas que levaram ao martírio do falecido presidente", disse Nabil Abu Rdeineh, porta-voz do sucessor de Arafat como presidente palestino, Mahmoud Abbas. Ele não citou prazos para a exumação.

"Quero que o mundo saiba a verdade sobre o assassinato de Yasser Arafat", disse Suha à Al Jazeera, sem fazer acusações diretas, mas observando que Israel e os Estados Unidos o viam como um obstáculo à paz.

Histórico

Arafat, ex-guerrilheiro e ganhador do Nobel da Paz, morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos. Na época, ele estava rompido com Israel, depois da violenta interrupção do processo de paz em 2000.

Depois de passar muito tempo doente, Arafat foi transferido nos seus últimos dias de vida para Paris, onde médicos disseram ser incapazes de estabelecer a causa da sua morte. Autoridades francesas se recusaram a apresentar detalhes sobre a doença dele, amparando-se em leis que protegem a privacidade.

O polônio, aparentemente ingerido na comida, já foi apontado como responsável pela morte, após prolongada agonia, do ex-espião russo Alexander Litvinenko, ocorrida em Londres em 2006.

Israel negou ter envolvimento na morte de Arafat, e Avi Dichter, na época chefe do serviço de inteligência israelense, o Shin Bet, disse na quarta-feira que o ônus da prova cabe aos palestinos.

"O corpo está nas mãos deles. Está em Ramallah, e realmente todas as chaves estão nas mãos deles", afirmou Dicther à Rádio Israel.

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