Corte egípcia dissolve braço político da Irmandade Muçulmana

Um tribunal do Egito dissolveu neste sábado o Partido Liberdade e Justiça, braço político da já banida Irmandade Muçulmana, dando um duro golpe em meio à campanha para esmagar o mais antigo movimento islâmico do país.

LIN NOUEIHED, REUTERS

09 de agosto de 2014 | 10h14

A Irmandade Muçulmana já havia sido banida por um tribunal egípcio, mas a decisão não mencionava a ala política da organização, deixando em aberto a possibilidade do partido participar das eleições parlamentares no final do ano.

A decisão da suprema corte administrativa deste sábado exclui a Irmandade da participação formal na política eleitoral, potencialmente forçando o movimento à clandestinidade.

O tribunal determinou que o partido seja dissolvido e seus bens sejam confiscados pelo Estado. A decisão é final e não podem ser apresentados recursos, disse uma fonte judicial.

O advogado do partido Mahmoud Abou al-Aynayn disse à Reuters que a decisão foi política e inconstitucional ao privar a defesa do direito de recorrer.

A Irmandade Muçulmana, um dos movimentos políticos mais antigo, organizado e de maior sucesso, viu centenas de seus membros mortos e milhares presos desde que o então chefe do Exército Abdel Fattah al-Sisi derrubou o presidente eleito e membro da Irmandade Mohamed Mursi há 13 meses, após semanas de protestos.

Mursi, que governou durante um ano, e outras autoridades da Irmandade foram presos na esteira de sua derrubada. Centenas foram condenados à morte em decisões judiciais em massa que levantaram críticas de governos ocidentais e grupos de direitos humanos.

Sisi, que ganhou a eleição presidencial de maio, prometeu durante sua campanha que a Irmandade deixaria de existir sob seu governo.

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