Cresce descontentamento com nova bandeira do Iraque

A decisão do parlamento iraquiano deadotar uma nova bandeira nacional temporariamente provocouindignação. Uma grande província recusou-se a hasteá-la eiraquianos fixaram a antiga bandeira em seus carros numprotesto silencioso. Os iraquianos encheram as salas de bate-papo na Internetcom críticas à decisão tomada esta semana, que há muito vinhasendo reivindicada pela minoria curda, alegando que a bandeirada era Saddam Hussein é uma lembrança da brutalidade doperíodo. Muitos iraquianos árabes discordam. Eles acham que a antigabandeira não tem a ver com Saddam, árabe sunita, mas sim queincontáveis soldados morreram por ela em diversas guerras. "É vergonhoso. Milhares de iraquianos perderam suas vidaspara que essa bandeira continuasse hasteada... Mudar a bandeiraé ignorar seu sacrifício", disse um iraquiano num comentáriopublicado numa sala de bate-papo árabe. Na verdade, a nova bandeira é muita parecida com a antiga. Ainda é vermelha, branca e preta, mas as estrelas verdes nocentro, representando unidade, liberdade e socialismo, o lemado hoje cassado partido Baath, de Saddam, foram removidas. A frase Allahu Akbar (Deus é o maior), escrita em árabe eem verde por ordem de Saddam durante a Guerra do Golfo, em1991, continua, mas não mais na caligrafia de Saddam. O conselho provincial da província de Anbar, no oeste dopaís, e líderes de um conselho de xeques tribais aliados àsforças norte-americanas na região decidiram não hastear a novabandeira, informou a televisão al-Hurra, apoiada pelos EUA,neste sábado. As autoridades do conselho provincial de Anbar não foramencontradas para comentar, mas autoridades em Falluja, uma dasprincipais cidades da província, e antigo foco de insurgênciaárabe sunita, expressaram hostilidades à nova bandeira. "Isso é um desastre... Estou usando a bandeira antiga nomeu gabinete e em casa", disse o prefeito de Falluja, SaadRasheed, afirmando que hasteará a nova bandeira apenas se oconselho de Anbar assim o decidir. O longo debate sobre a mudança da bandeira ganhou urgênciadevido à reunião pan-árabe no Curdistão, região autônoma doIraque, em 10 de março. As autoridades curdas se recusam ahastear a antiga bandeira, proibida no Curdistão. A nova bandeira durará apenas um ano, enquanto continua adebate sobre como deverá ser a bandeira definitiva do país. (Reportagem adicional de Ahmed Rasheed, Aws Qusay e WaleedIbrahim)

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