Cresce preocupação com atividade nuclear do Irã, diz AIEA

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) está "cada vez mais preocupada" com o possível desenvolvimento pelo Irã de uma carga nuclear para seus mísseis, disse a entidade em um relatório confidencial obtido pela Reuters nesta sexta-feira.

FREDRIK DAHL, REUTERS

02 Setembro 2011 | 17h01

A AIEA afirmou que continua recebendo novas informações que contribuem com essas preocupações. Um diplomata familiarizado com o assunto disse que algumas delas são relativas a atividades feitas ainda no ano passado.

Os fatos narrados no novo relatório trimestral da AIEA devem intensificar a preocupação do Ocidente com o programa nuclear iraniano, suspeito de estar voltado para o desenvolvimento de uma arma nuclear. Teerã insiste no caráter pacífico das suas atividades, dizendo que sua intenção é apenas gerar energia para fins civis.

O embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, criticou as "acusações infundadas" da entidade, mas disse que o relatório acerta ao declarar que Teerã cooperou plenamente com a agência ao permitir que um inspetor internacional tivesse acesso total às instalações atômicas do país ao longo de cinco dias, no mês passado.

"Esta nova tendência de cooperação positiva entre o Irã e a AIEA deve continuar", afirmou ele à Reuters.

Diplomatas ocidentais dizem que a visita do inspetor foi uma manobra do Irã para demonstrar transparência, mas não foi suficiente para esclarecer dúvidas cruciais a respeito dos objetivos do país.

Além de falar da possível dimensão nuclear do programa nuclear iraniano, a AIEA relatou também que o Irã começou a instalar centrífugas para enriquecimento de urânio até altos graus de pureza numa instalação subterrânea perto de Qom.

O enriquecimento de urânio é um processo que, dependendo do grau de pureza alcançado, pode gerar combustível para usinas civis, mas também o material necessário para armas nucleares. Transferir essa atividade para o subsolo garantiria uma maior proteção contra eventuais bombardeios norte-americanos ou israelenses.

De acordo com a AIEA, o Irã começou, em outra instalação nuclear, a enriquecer urânio com um modelo de centrífuga mais avançado do que aquele que está em uso atualmente, que data da década de 1970.

"O Irã fez progressos no lado do enriquecimento", disse o diplomata que falou à Reuters, acrescentando que a República Islâmica está fazendo "muito esforço" para colocar a instalação subterrânea de Fordow em funcionamento.

Há anos a AIEA investiga acusações ocidentais de que o Irã teria esforços conjugados para processar urânio, testar explosivos em alta altitude e adaptar seus mísseis balísticos para o uso com ogivas atômicas.

Mais conteúdo sobre:
IRANUCLEARPREOCUPA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.