Cresce pressão mundial por cessar-fogo na Faixa de Gaza

Porta-voz da Casa Branca pede fim de disparos de foguetes do Hamas; ONU quer que dois lados parem ataques

REUTERS

29 de dezembro de 2008 | 13h31

NOVA YORK - No terceiro dia de ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, cresce a pressão internacional por um cessar-fogo. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, defendeu o fim das hostilidades.  O governo dos Estados Unidos pediu ao grupo radical islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza, o fim dos ataques com foguetes a Israel, que detonaram a ofensiva aérea do Estado Judeu contra o território palestino. Um porta-voz da Casa Branca disseque o Hamas deve parar as agressões e aceitar um cessar-fogo durável.   Veja também: Ministro da Defesa diz que Israel abriu 'guerra sem trégua' contra o Hamas Obama acompanha incursão, mas não se pronuncia Palestinos violam fronteira com o Egito para fugir de ataques Ataques em Gaza interrompem conversas de paz com a Síria Grupo iraniano registra voluntários para lutar contra Israel Egito permite entrada de ajuda na fronteira com Faixa de Gaza Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques   "Com o objetivo de deter a violência, o Hamas deve parar com o disparo de foguetes dentro de Israel e deve concordar em respeitar um cessar-fogo durável e sustentável", disse o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe. "Esse é o objetivo que todas as partes deve estar empenhadas. É nisso que os Estados Unidos estão trabalhando."   O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se uniu hoje ao apelo do Conselho de Segurança (CS) para  o fim imediato de todo ato de violência e atividades militares em Gaza. Ban também pediu a Israel que permita chegar a ajuda humanitária à região.   O gabinete do presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou que o líder europeu tem mantido conversas constantes com seu colega egípcio, Hosni Mubarak, sobre a crise.  O Palácio do Eliseu confirmou também que a ministra das relações exteriores de Israel, Tzipi Livni, deve se encontrar com Sarkozy em Paris no começo de 2009.   Os ministros de Relações Exteriores da  União Européia se reunirão amanhã em caráter urgente, convocados pela Presidência francesa da UE, para analisar a situação na Faixa de Gaza segundo comunicado da diplomacia francesa.     Os ministros europeus já confirmaram sua presença e "estudarão a contribuição da União Européia à solução da crise atual", antecipou  a nota.   Reação no mundo árabe   Os ataques de Israel contra o grupo islâmico Hamas causaram revolta no mundo árabe. O negociador palestino Ahmed Qureia, responsável pelas conversações sobre paz com Israel, afirmou que os Estados Unidos suspenderam a negociação durante a ofensiva israelense em Gaza, afirmou o jornal israelense Haaretz. "Não há negociação durante os ataques contra nós", afirmou Qureia.   As negociações indiretas de um processo de paz entre a Síria e o governo israelense também foram suspensas. "A agressão de Israel fecha todas as portas para um acordo na região", afirmou um funcionário do governo sírio que não quis se identificar.   A declaração foi feita um dia depois de a Turquia - que estava mediando as conversações de paz - condenar os ataques em Gaza. Segundo o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, Israel usou uma "força desproporcional" no território e a ação foi um "crime contra a humanidade".O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, criticou Israel pela ofensiva e o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, emitiu um decreto religioso para que todos os muçulmanos em todas as partes do mundo defenderem os palestinos em Gaza. "Todos os combatentes palestinos e todos os devotos do mundo islâmico estão obrigados a defender as mulheres, crianças e pessoas indefesas em Gaza de todas as formas possíveis", afirmou Khamenei.   EuropaA União Européia condenou os ataques e o chanceler britânico, David Miliband, pediu um fim imediato para a violência na região. O governo da Rússia também pediu que Israel pare de atacar Gaza. O Conselho de Segurança da ONU e o Vaticano também condenaram os ataques. A Liga Árabe convocou para quarta-feira uma reunião de emergência para discutir a situação.   América LatinaO Itamaraty repudiou os ataques e criticou a "reação desproporcional" de Israel no ataque realizado contra a Faixa de Gaza. A diplomacia brasileira pediu o fim da violência na região. "A escalada da violência na região após o fim do cessar-fogo entre Israel e Hamas atinge especialmente a população civil e prejudica os esforços em favor de uma solução negociada e pacífica para o conflito israelo-palestino. O Brasil deplora a reação desproporcional israelense, bem como o lançamento de foguetes contra o sul de Israel", apontou o Itamaraty em nota oficial.   Outros governos da América Latina também rejeitaram a violência que tomou conta de Gaza. No Chile, mais de cem manifestantes reuniram-se na frente da Embaixada de Israel em Santiago para protestar contra a ofensiva. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, manifestou sua "profunda indignação" pelo ocorrido e criticou os EUA por terem sido "cúmplices" de Israel nos ataques.

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