Cresce pressão sobre Líbia; rebeldes tomam áreas estratégicas

As potências estrangeiras aceleraram os esforços para ajudar a derrubar o líder líbio Muammar Gaddafi na segunda-feira, enquanto os rebeldes lutavam contra as forças do governo que tentam retomar cidades estratégicas da costa em ambos os lados da capital Trípoli.

MARIA GOLOVNINA, REUTERS

28 de fevereiro de 2011 | 15h44

As forças de Gaddafi tentam há dias conter a revolta que conquistou boa parte dos militares, pôs fim ao seu controle no leste da Líbia e rechaça os ataques do governo em cidades do oeste do país perto de Trípoli.

É difícil para os jornalistas se movimentarem pelo oeste da Líbia e de confirmar de forma independente os relatos de confronto.

Mas testemunhas em Misrata, cidade de meio milhão de habitantes 200 quilômetros a leste de Trípoli, e em Zawiyah, município estratégico de refinarias 50 quilômetros a oeste, afirmaram que as forças do governo estão aumentando ou preparando ataques.

"Uma aeronave foi derrubada esta manhã enquanto disparava contra a estação de rádio local. Manifestantes capturaram seus tripulantes", disse à Reuters por telefone Mohamed, que testemunhou os fatos em Misrata.

"O confronto pelo controle da base aérea militar começou na noite passada e ainda acontece. As forças de Gaddafi controlam apenas uma pequena parte da base. Os manifestantes controlam uma grande parte dessa base, onde há munição."

Uma fonte do governo líbio negou a informação.

Um morador de Zawiyah, chamado Ibrahim, disse à Reuters por telefone: "Esperamos ataques a qualquer momento das brigadas de Khamis (filho de Gaddafi). Eles estão nas imediações da cidade, a cerca de 5 a 7 quilômetros de distância. Estão em grande número."

Na capital, último baluarte de Gaddafi, um repórter da Reuters viu cerca de 400 pessoas protestando numa praça do distrito de Tajoura, uma área já parcialmente fora do controle dele.

Pouco depois, homens em veículos utilitários esportivos dispararam para o alto.

SANÇÕES

Os governos estrangeiros aumentaram a pressão para que Gaddafi deixe o poder na esperança de encerrar os confrontos que provocaram a morte de ao menos mil pessoas e de restaurar a ordem no país responsável por 2 por cento da produção mundial de petróleo.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) impôs no sábado sanções a Gaddafi e outras autoridades líbias, um embargo de armas e congelaram bens líbios.

Governos da União Europeia aprovaram sanções contra Gaddafi em Bruxelas na segunda-feira, implementando a resolução da ONU mais rápido do que o esperado.

O Pentágono informou que está reposicionando as forças navais e aéreas dos EUA em torno da Líbia "a fim de fornecer opções e flexibilidade". A Sexta Frota dos EUA opera perto da Itália.

Em Haia, o promotor da Corte Penal Internacional disse que terminaria em dias uma avaliação preliminar sobe a violência, depois do que abriria um inquérito - passo exigido pelo Conselho que poderia ter levado meses.

A França propôs uma cúpula de emergência de líderes da UE para quinta-feira, disseram diplomatas europeus.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, disse, após se encontrar com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, ter proposto um congelamento de 60 dias nas transferências de dinheiro para a Líbia e afirmou que outros países estavam abertos à ideia.

Mas havia um apoio menor entre os chanceleres presentes em Genebra a propostas de fazer Gaddafi parar de atacar os rebeldes pelo ar.

O premiê britânico, David Cameron, disse que pediu ao sua cúpula de defesa para trabalhar sobre essa idéia com aliados. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, porém, ao ser questionado em Genebra se havia discutido uma zona de exclusão aérea na reunião com Clinton, respondeu: "Absolutamente não. Isso não foi mencionado por ninguém."

As revoluções nos países vizinhos (Tunísia e Egito) ajudaram a alimentar o ressentimento de quatro décadas contra a repressão política sob Gaddafi, assim como o fracasso do governante em aproveitar a riqueza líbia do petróleo para combater a pobreza e a falta de oportunidades.

O líder de 68 anos prometeu lutar até a morte, mas um porta-voz estabeleceu um tom conciliador na segunda-feira.

(Reportagem adicional de Yvonne Bell e Chris Helgren em Trípoli, Dina Zayed e Caroline Drees no Cairo, Tom Pfeiffer, Alexander Dziadosz e Mohammed Abbas em Benghazi, Christian Lowe e Hamid Ould Ahmed em Alger, Muriel Boselli em Paris, Alex Lawler em Londres, Andrew Quinn em Genebra)

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