Criação de Estado palestino divide rivais em Israel

As diferenças em relação a um Estado palestino devem atrapalhar os esforços de Benjamin Netanyahu para formar uma coalizão de governo com sua principal rival, a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, informou uma autoridade de seu partido, o Likud, na quinta-feira. Netanyahu, que recebeu do presidente a tarefa de formar a coalizão, planeja se reunir com Livni na sexta-feira, em mais uma tentativa de recrutar o partido de centro Kadima, que apoia a exigência de um Estado palestino. Netanyahu, chefe do partido de direita Likud, quer que as negociações de paz, mediadas pelos Estados Unidos, passem seu foco das questões territoriais para a economia palestina. Ele disse que qualquer Estado palestino deve ter soberania somente limitada, além de ser desmilitarizado. "Há um acordo não-oficial sobre o Irã, o Hezbollah e o Hamas, mas ainda existe um grande abismo entre o Kadima e o Likud sobre a questão de dois Estados para dois povos. Não é solucionável", disse Silvam Shalom, importante parlamentar do Likud e ex-ministro das Relações Exteriores, à rádio do Exército. Livni disse que o Kadima não vai formar um governo que não se comprometa claramente com uma solução com dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos. Como negociadora-chefe com os palestinos do atual governo, Livni lidera um processo de troca de terras por paz, cujo objetivo declarado é formar um Estado palestino viável, além de garantir segurança para Israel. "Infelizmente, a resposta que estamos recebendo dos líderes do Kadima é que não há chance de ela mudar sua posição. E parece que, amanhã, vamos ouvir o 'não' final", disse Silvam Shalom. Questionada sobre os comentários de Shalom, uma porta-voz do Kadima disse que a posição de Livni não mudou. O enviado dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell, vai se encontrar com Netanyahu e líderes do governo que se encerra, para conversar sobre maneiras de reanimar o processo de paz. Ele também vai visitar a Cisjordânia ocupada. O Kadima obteve 28 das 120 cadeiras do Congresso, e o Likud, 27, nas eleições parlamentares de 10 de fevereiro. Mas um forte bloco nacionalista emergiu na votação e Netanyahu tem o apoio de 65 parlamentares de direita, o suficiente para formar um governo. Uma coalizão de direita pode colocar Israel em choque com Washington, pois o presidente norte-americano, Barack Obama, prometeu avanços nos esforços para um acordo de paz entre israelenses e palestinos. Netanyahu tem mais 36 dias para conseguir apoio parlamentar para um governo.

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