Crise no Líbano torna-se mais complexa, diz mediador

A crise política do Líbanotorna-se cada vez mais complicada e a influência estrangeirasobre o conflito entre o atual governo libanês e a oposiçãoliderada pelo Hezbollah atinge níveis sem precedentes, afirmouum mediador. Em comentários publicados na quarta-feira, osecretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, pediu a renovaçãodos esforços árabes e regionais para colocar fim ao impasseentre os lados rivais, cuja luta pelo poder transformou-se napior crise enfrentada pelo Líbano desde a guerra civil(1975-1990). O país está sem um presidente há três meses e os dois ladosnão conseguem chegar a um acordo sobre como dividir os cargosde um futuro governo. Moussa conseguiu patrocinar dois dias de negociações nestasemana, mas não garantiu a realização de avanços rumo à soluçãode um conflito que tem prejudicado a relação entre os paísesárabes, que realizam um a cúpula na Síria, no próximo mês. A coalizão governista conta com o apoio de potênciasestrangeiras, entre as quais os Estados Unidos e seus aliadosárabes, tais com a Arábia Saudita e o Egito. A oposição recebeo apoio da Síria e do Irã. O jornal As-Safir atribuiu a Moussa a declaração de que acrise atinge uma dimensão temível. Segundo o secretário-geralda Liga Árabe, os problemas atuais tornam-se mais complicados ecriam problemas adicionais. "A influência estrangeira tornou-se uma fonte de pressãonos assuntos libaneses, atingindo uma dimensão semprecedentes", afirmou. Moussa não especificou qual influênciaestrangeira. "A Liba Árabe obteve o que poderia ser obtido", disse. "Oresto requer novos esforços árabes e regionais", afirmou oex-ministro das Relações Exteriores do Egito. O impasse encontra-se no centro de um embate diplomáticoentre a Síria e a Arábia Saudita, cujo rei Abdullah não deveparticipar da cúpula árabe se o conflito não for resolvido. A crise provocou os piores conflitos de rua ocorridos noLíbano desde a guerra civil, agravando as tensões existentesentre os seguidores de líderes de grupos rivais. E também provocou animosidades entre os seguidores sunitasdo líder da coalizão governista, Saad al-Hariri, e ossimpatizantes do Hezbollah, um grupo xiita. Moussa descreveu o Líbano como um microcosmo do OrienteMédio. "Quaisquer desavenças, se ocorrerem, podem disseminar-se eameaçar os demais países. Por isso, cabe a todos os que possuemligações com a situação libanesa que percebam o perigo e queassumam suas responsabilidades", disse. (Por Tom Perry)

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