Crise orçamentária emerge na Líbia; greves no setor de petróleo exterminam finanças

Enquanto as greves em portos petrolíferos líbios chegam ao sexto mês, reduzindo a renda do governo, uma crise orçamentária poderia estar próxima em um país acostumado ao caos desde a revolta popular que derrubou Muammar Gaddafi.

ULF LAESSING, Reuters

04 de janeiro de 2014 | 11h06

O governo, quando não está às voltas com as milícias que ocupam ministérios e assumem instalações petrolíferas segundo a sua vontade, avisa que pode ser incapaz de pagar salários, enquanto os cortes de energia são comuns.

As exportações de petróleo, que representam praticamente toda a receita anual do governo, de cerca de 50 bilhões de dólares, caíram de mais de 1 milhão de barris por dia em julho, quando os ataques começaram, para apenas 110 mil barris por dia.

O governo diz que perdeu mais de 10 bilhões de dólares em receitas do petróleo desde então, cerca de um quinto da meta anual, mas que poderia muito bem ser um dado subestimado, uma vez que o déficit de 1 milhão de barris teria atingido cerca de 100 milhões por dia por dia, o que sugere que a redução mensal de cerca de 3 bilhões de dólares.

Há pouco espaço para cortar despesas, no entanto, com mais de metade do orçamento anual de mais de 50 bilhões de dólares destinados aos salários públicos e subsídios sensíveis para uma série de produtos, incluindo pão, combustível e serviços como tratamento hospitalar.

"Eu não acho que eles vão cortar salários ou subsídios, porque eu acho que isso é extremamente perigoso", disse Alex Warren da consultoria Frontier, que cuida do site Lybia Report.

Em vez disso, a massa salarial deve subir no momento em os trabalhadores do setor de petróleo, que representam cerca de quatro quintos do Produto Interno Bruto (PIB), têm direito a um aumento salarial de 67 por cento a partir de janeiro, uma medida governamental destinada a aliviar a dissidência.

O governo do primeiro-ministro Ali Zeidan pode reduzir os gastos de infraestrutura, em um país que tem feito pouco progresso na reparação dos danos que acompanhou a revolução e suas conseqüências.

A produção de petróleo também poderia aumentar em 300 mil barris por dia nos próximos dias, depois que o governo declarou o fim de um protesto contra o grande campo El Sharara.

Mesmo assim, o ministro do Trabalho, Mohamed Swalim foi ao rádio para um programa de televisão de uma hora esta semana para martelar a urgência de acabar com os bloqueios.

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