Crise só acabará com renúncia de premiê, diz oposição libanesa

Causa das tensões não é bloqueio das estradas pelo Hezbollah, mas atuação do Executivo, afirma líder opositor

Efe e Reuters,

12 de maio de 2008 | 14h33

O líder opositor cristão Michel Aoun assegurou em entrevista coletiva em Beirute nesta segunda-feira, 12, que não haverá estabilidade no Líbano até que o governo do sunita Fouad Siniora apresente sua renúncia. Aoun explicou que a principal causa da crise não era o bloqueio da rota do aeroporto, fechada por milicianos do Hezbollah na semana passada, mas a atuação do atual Executivo.   Veja também: Conflitos nas montanhas elevam total de mortos no Líbano a 81 Confrontos violentos no Líbano se espalham pelo país Advogado brasileiro no Líbano relata o clima e tensão no país  Entenda as divisões e a crise política   O dirigente cristão voltou a exigir a formação de um governo de união nacional e a reforma da lei eleitoral, e ressaltou que, caso o atual gabinete de Siniora não renuncie, os combates serão retomados.   Aoun acusou o Executivo de ter detonado a atual crise, em alusão à decisão de desmantelar a rede de telecomunicação do grupo xiita Hezbollah, líder da oposição, e de destituir o chefe da segurança do aeroporto.   "A crise se deve a problemas acumulados há muito tempo. Pedir o desarmamento ou a retirada dos grupos armados não acabará com o conflito", afirmou.   Aoun especificou que as razões que levaram à crise possuem cunho político, e declarou que os cristãos - divididos em governistas e opositores - não deviam temer pela segurança em suas áreas, já que o acordo de entendimento com o Hezbollah "é uma garantia eterna de paz para os libaneses, especialmente para os cristãos."   Michel Aoun, um dos poucos dirigentes cristãos que se uniu às fileiras da oposição, chegou a um acordo de cooperação com o Hezbollah em fevereiro de 2006, e contra o atual Governo do primeiro-ministro Fouad Siniora.   Desde quarta-feira, 7, pelo menos 81 pessoas morreram e 250 ficaram feridas nos enfrentamentos entre partidários da maioria parlamentar e a oposição que começaram em Beirute e se estenderam a vários pontos do país.

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