Cruz Vermelha acusa Israel de não socorrer os feridos em Gaza

Comitê diz que soldados descumprem obrigação do direito humanitário de permitir acesso e retirada das vítimas

Efe,

08 de janeiro de 2009 | 09h20

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) acusou Israel nesta quinta-feira, 8, de faltar com o dever de assistir os feridos no conflito na Faixa de Gaza e de impedir que eles sejam socorridos por outras entidades. O CICV afirmou que as Forças Armadas israelenses "não cumpriram a obrigação imposta pelo direito internacional humanitário de atender e retirar os feridos". "A demora em permitir o acesso dos serviços de resgate é inaceitável", acrescentou.   Veja também: Sarkozy não obtém trégua, mas sacode indiferenças Israel e Líbano negam envolvimento do Hezbollah em ataque Foguetes do Líbano contra Israel elevam temor de nova guerra Israel intensifica bombardeio em Gaza no 13.º dia de ataques Assembleia da ONU convoca reunião de emergência França provoca confusão ao anunciar cessar-fogo  Trégua por 3h é piada, diz ex-relator da ONU brasileiro  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Brasileiros que vivem na região falam sobre o conflito Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques      Uma equipe da organização conseguiu entrar pela primeira vez na tarde de quarta em várias casas do bairro de Zaytun, na Cidade de Gaza, que foram atingidas pelos bombardeios das forças israelenses, onde encontraram cadáveres, feridos e crianças extremamente debilitadas. A autorização para que o CICV e ambulâncias do Crescente Vermelho Palestino chegassem a essas vítimas chegou quatro dias após a solicitação, disse um porta-voz da organização, em Genebra.   "A equipe conjunta encontrou em uma das casas quatro crianças pequenas ao lado da mãe morta. Elas estavam tão fracas que não conseguiam se manter de pé", relatou a Cruz Vermelha. No total, foram encontrados 15 cadáveres, com o resgate de 18 feridos e de 12 pessoas muito debilitadas. O CICV denunciou que, enquanto seus colaboradores cumpriam esta missão, soldados israelenses que estavam a cerca de 80 metros de distância ordenaram que deixassem a área, o que os trabalhadores humanitários se negaram a fazer. Os soldados israelenses inclusive tinham colocado barreiras que impediam a passagem das ambulâncias, por isso as crianças tiveram que ser levadas a esses veículos em carretas.   "Este foi um incidente chocante. Os militares israelenses deviam saber da situação, mas não atenderam os feridos, nem fizeram o possível para que nós ou o Crescente Vermelho Palestino tratasse deles", disse o responsável do CICV em Israel e nos territórios ocupados, Pierre Wettach. A equipe de resgate só conseguiu retirar dois cadáveres e esperava voltar nesta quinta para buscar os restantes. O CICV pediu a Israel um acesso seguro para seu pessoal e ambulâncias a essa área, para assim resgatar outros feridos, mas ainda espera uma resposta.   O número de palestinos mortos nos 13 dias da ofensiva israelense contra Gaza já passa de 700, incluindo 220 crianças, segundo fontes médicas palestinas. Há mais de 3.100 feridos. Do lado israelense, o total de mortos manteve-se em 10, com 6 baixas militares desde o início da ofensiva terrestre, no sábado.

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