Cruz Vermelha alerta para caos em hospitais de Gaza

Bloqueio israelense na fronteira provoca escassez generalizada de alimetos e provisões médicas, diz organização

Agências internacionais,

29 de dezembro de 2008 | 16h44

Os alimentos básicos estão subindo de preço rapidamente na Faixa de Gaza, onde a situação dos hospitais é "caótica", informou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que nesta segunda-feira, 29, conseguiu que entrassem nesse território três caminhões com provisões médicas e cargas de sangue. A organização disse que as ruas de Gaza permanecem vazias com a exceção das em frente às padarias, em vista da escassez generalizada de alimentos pelo bloqueio israelense dos cruzamentos de fronteira.   Segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, a ofensiva militar que Israel lança desde sábado já matou 345 pessoas e feriu 1.600. Israel também informou que uma segunda pessoa e outras várias ficaram feridas por foguetes de fabricação caseira lançados da Faixa de Gaza, em uma reação árabe.     Veja também: Cresce pressão mundial por cessar-fogo em Gaza Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra Israel Nenhum prédio do Hamas ficará em pé, diz general israelense Obama acompanha incursão, mas não se pronuncia Líder do Hamas está disposto a assinar cessar-fogo em Gaza Palestinos violam fronteira com o Egito para fugir de ataques Ataques em Gaza interrompem conversas de paz com a Síria Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques      De sua sede em Genebra, a Cruz Vermelha ressaltou que "é prioritário obter imediatamente mais provisões médicas para os hospitais", pois a chegada de feridos é constante. Além disso, assinalou que se reportou carência de água em alguns distritos, seja porque danos à rede de abastecimento ou por cortes de energia elétrica.   Porta-vozes da Cruz Vermelha explicaram que no meio dos "robustos combates", seu pessoal em Gaza geralmente não pode se deslocar dentro desse território, mas mantém um contato regular com ambas as partes do conflito, hospitais e outros serviços públicos essenciais.   Até o momento, a organização entregou aos hospitais material para atender 200 feridos e se prepara para "uma possível mobilização de pessoal adicional, incluído uma equipe de cirurgia". Atualmente, a Cruz Vermelha conta em Gaza com oito estrangeiros e 65 empregados locais.   Ajuda externa   O Egito começou a receber palestinos feridos e ampliou a ajuda humanitária e médica à Faixa de Gaza nesta segunda-feira, o terceiro dia de ofensiva israelense contra o território palestino. Cerca de 30 palestinos devem deixar o território, bloqueado por forças israelenses, por meio da fronteira com o Egito, para tratamento. Ambulâncias vindas de cidades egípcias na península do Sinai estão estacionadas na fronteira.   O Egito está permitindo que caminhões carregando ajuda humanitária entrem na área de fronteira com a Faixa de Gaza. Veículos carregados com comida e suprimentos médicos haviam formado uma fila fora da fronteira entre o Egito e Gaza desde o início da manhã.   Guardas de fronteira abriram o terminal de Rafah e começaram a permitir a entrada de vários caminhões. Mustafa Ismail, membro de uma organização de caridade com base no Cairo, afirmou que os caminhões foram autorizados a deixar os suprimentos no terminal, mas não podem entrar em Gaza.   ONU alerta para desastre   A incursão israelense em Gaza criou uma crise humanitária na região, que já estava em situação crítica, afirmou o oficial da ONU Christopher Gunness à CNN. "A situação está absolutamente desastrosa", disse ele. Gunness disse que a agência que cuida de refugiados palestinos tem dificuldade de fornecer ajuda médica há mais de um ano por causa do bloqueio israelense. "Uma longa lista de medicamentos que os Estados Unidos consideram padrão em qualquer hospital está em falta em Gaza. Estamos dispensando pessoas atingidas pelos ataques por falta de estrutura".   O diretor do programa de saúde mental de Gaza Eyad El Gaza disse que haverá um grande desastre humanitário, caso os ataques não terminem logo. Ele descreveu que pessoas correm para os porões enquanto as bombas são lançadas. "As crianças estão desesperadas e os adultos são incapazes de dar segurança e conforto, neste momento", afirmou.   O médico apontou falta nos estoques de sangue e em equipamentos cirúrgicos.  "Pessoas estão sofrendo e morrendo por causa da falta de equipamento médico", disse o médico Mahmoud el-Khazndar, que trabalha no hospital Shifa, em Gaza. "Nós não estamos prontos para receber feridos em massa desta forma", acrescentou.

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