Cruz Vermelha pede a Hamas prova de vida de soldado israelense

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês) pediu nesta quinta-feira ao grupo islâmico palestino Hamas que entregue provas de que o soldado israelense Gilad Shalit ainda está vivo, quase cinco anos após sua captura por militantes na Faixa de Gaza.

STE, REUTERS

23 de junho de 2011 | 10h34

Em um apelo público incomum, a agência independente de ajuda afirmou que a família de Shalit tem o direito, de acordo com a legislação humanitária internacional, de entrar em contato com o filho, de 24 anos, mantido incomunicável desde sua captura, em 25 de junho de 2006.

"Como não há nenhum sinal de vida do sr. Shalit há quase dois anos, o ICRC está agora pedindo que o Hamas prove que ele está vivo," afirmou o Comitê, com sede em Genebra.

O ICRC também reiterou sua antiga solicitação de visitar Shalit no local em que estiver preso.

Mas um porta-voz do Hamas pareceu ter rejeitado o apelo --que autoridades do ICRC disseram ter sido transmitido em caráter privado ao grupo militante islâmico várias semanas atrás.

"A Cruz Vermelha não deveria envolver-se nos jogos israelenses de segurança com o objetivo de chegar a Shalit. Deveria adotar uma posição que resulte no fim do sofrimento de prisioneiros palestinos", disse à Reuters o porta-voz do Hamas Sami Abu Zuhri, em Gaza.

Militantes armados do Hamas capturaram Shalit em Israel por meio de um túnel que construíram na fronteira. Depois disso, ele vem sendo mantido em local desconhecido. O último sinal de vida foi um vídeo divulgado por seus captores em setembro de 2009, no qual Shalit aparece pálido e magro, fazendo um apelo por sua vida.

"A total falta de informação relacionada ao sr. Shalit é completamente inaceitável," disse o diretor-geral do ICRC, Yves Daccord, em comunicado.

Shalit, que também tem nacionalidade francesa, se tornou um símbolo de força para os israelenses, dos quais boa parte cumpre o serviço militar obrigatório e se identifica com a situação dele.

"SÉRIA PREOCUPAÇÃO"

"Não sabemos nada sobre suas condições de prisão. Mas por informação que recebemos temos séria preocupação com seu destino", disse à Reuters o chefe da delegação do ICRC em Israel e nos territórios ocupados, Jean-Pierre Schaerer.

O comitê se prontificou a facilitar uma troca de presos entre Hamas e Israel, se chegarem a um acordo em negociações em andamento, segundo Schaerer.

Mas ele acrescentou: "Não há reciprocidade entre a situação de Gilad Shalid e as pessoas detidas por Israel. Os dois lados têm obrigações, independentemente do que cada lado esteja fazendo."

Shalit não é considerado um prisioneiro de guerra, já que foi capturado por um grupo armado, e não por forças de um estado que tenha ratificado a Terceira Convenção de Genebra. No entanto, como todas as outras pessoas detidas durante um conflito, ele tem de receber tratamento humanitário, segundo as Convenções de Genebra, explicou o ICRC.

"O Hamas tem a obrigação, de acordo com a lei humanitária internacional, de proteger a vida do sr. Shalit, de tratá-lo humanamente e deixar que tenha contato com sua família", disse Daccord.

Os pais de Shalit, Noam e Aviva, disseram que na sexta-feira, o quinto aniversário de sua captura, passarão o dia em uma barraca com cartazes pedindo que os líderes israelenses tragam o filho para casa.

Eles lideram uma campanha para pressionar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a trocar prisioneiros com o Hamas. Contudo, o governo israelense, de direita, não aceita a exigência do Hamas de libertar centenas de palestinos presos, incluindo alguns condenados por crimes de morte.

Em um comunicado separado, nesta quinta-feira, o ICRC também pediu que Israel permita a parentes de palestinos de Gaza que visitem prisioneiros em Israel.

(Reportagem adicional de Saleh Salem em Gaza e Dan Williams em Jerusalém)

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