CS pede que Ban intervenha na fronteira entre Síria e Líbano

Possibilidade de que o Hezbollah se rearme e violação de embargo de armas imposto ao Líbano preocupa ONU

Efe,

03 de agosto de 2007 | 19h03

O Conselho de Segurança da ONU pediu nesta sexta-feira, 3, ao secretário-geral, Ban Ki-moon, que intervenha na proteção da fronteira do Líbano com a Síria, diante da possibilidade de que o Hezbollah se rearme, um ano após seu conflito com Israel.   Em declaração da Presidência do CS, seus 15 membros expressaram preocupação com as constantes denúncias de violações do embargo de armas imposto ao Líbano. Além disso, pediram à Síria que controle sua fronteira com o país, e condenaram qualquer tentativa de desestabilização.   O CS também manifestou sua preocupação com as recentes declarações do Hezbollah, que afirmou "ter capacidade militar para atacar todo o território de Israel". O órgão pede o desarmamento de todas as milícias presentes no Líbano.   "Este é um passo importante para assegurar o cumprimento do embargo de armas", disse na saída da reunião do CS o encarregado de negócios da missão da França perante a ONU, Jean-Pierre Lacroix, cujo país propôs a declaração.   O CS pediu a Ban que colabore com o governo libanês para colocar em prática as recomendações do grupo de analistas da ONU. Em um relatório apresentado em junho, os analistas afirmaram que a fronteira libanesa "estava desprotegida e aberta ao tráfico de armas".   O grupo defendeu o aumento da assistência técnica internacional às autoridades alfandegárias libanesas, por meio do envio de assessores e equipamentos.   O texto adotado é uma versão atenuada da minuta divulgada na semana passada pela França, na qual era feita uma advertência direta à Síria e ao Irã para que cumprissem o embargo de armas incluído na resolução 1.701, que, em 2006, pôs fim ao conflito entre Israel e o Hezbollah.   A versão final da declaração reitera a obrigação dos Estados-membros da ONU, "em particular os da região", de tomar todas as medidas necessárias para pôr em prática o embargo.   A ausência de referências a supostos violadores da resolução e a suavização da linguagem agradaram ao Catar, cujas objeções impediram a adoção do texto proposto na quinta-feira.   "A situação no Líbano é muito sensível e todos devemos ajudar, mas não com duras declarações da Presidência", disse o embaixador do Catar, Nasser Abdulaziz al-Nasser.   Por sua vez, o embaixador sírio, Bashar Jaafari, reiterou que seu país realizou todos os esforços possíveis para cooperar na proteção da fronteira.   "Participamos de 12 reuniões de alto nível com o Líbano desde a resolução 1.701. A demarcação da fronteira é um tema bilateral. Eu não vejo a Síria se intrometendo na fronteira do Canadá com os EUA", acrescentou.   Em sua declaração, o CS disse estar preocupado com as crescentes violações israelenses do espaço aéreo libanês. O órgão reiterou o pedido ao Exército israelense para que entregue um mapa do sul do Líbano que permita desativar as minas restantes após os bombardeios, durante o conflito entre o país e a milícia libanesa.   O CS lembrou que o Hezbollah ainda não libertou os dois soldados israelenses cuja captura provocou o início do conflito, e encorajou a resolução do "tema dos prisioneiros libaneses detidos em Israel".   O texto também reforçou o apoio do CS ao trabalho da Força Interina da ONU no Sul do Líbano (Finul), condenou os atentados sofridos pelo grupo e enfatizou a necessidade de reforçar sua capacidade de investigação para que possa responder a essas agressões.

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