Mohammed Ameen/Reuters
Mohammed Ameen/Reuters

Curdistão vota por novo presidente e renovação do Parlamento

Eleições diretas são as primeiras na região autônoma desde a queda de Saddam Hussein, em 2003

Efe,

25 de julho de 2009 | 08h49

Mais de dois milhões e meio de curdos começaram a votar neste sábado, 25, para escolher um novo presidente para a região autônoma do Curdistão e renovar seu Parlamento, em um dia considerado crucial nos esforços do Iraque para fortalecer a democracia local nas primeiras eleições diretas na região desde a queda de Saddam Hussein, em 2003.

 

Os colégios eleitorais das províncias de Suleimaniya, Erbil e Dohuk, que formam o Curdistão iraquiano, abriram suas portas às 8h locais (2h de Brasília) e devem fechar às 19 horas (13 horas de Brasília), já que

a Comissão Superior Eleitoral do Iraque anunciou que os colégios eleitorais permanecerão abertos uma hora além do previsto, para permitir a todos os que esperam na entrada dos centros que votem.

 

Mais de 500 candidatos de 24 partidos disputam as 111 cadeiras do Parlamento. Cerca de 2,5 milhões de curdos de uma população total de 4,3 milhões no Iraque poderão votar. Cinco coalizões e 19 listas parlamentares disputam o pleito.

 

A aliança parlamentar formada entre o União Patriótica do Curdistão UPK, da qual o presidente iraquiano, Jalal Talabani, é o secretário-geral, e o Partido Democrático Curdo (KDP) do atual presidente da região autônoma, Massoud Barzani, é a favorita à vitória eleitoral. Legendas novas, como a Plataforma da Mudança, podem surpreender.

 

Cinco candidatos disputam a chefia de Estado do Curdistão iraquiano, entre eles Massoud Barzani, que foi designado pelo Parlamento eleito no pleito de 2005 - esta é a primeira vez em que a escolha se dá por voto direto. Também concorrem ao posto Halo Ibrahim Ahmed, da UPK, e três candidatos independentes: Ahmed Mohammed Rasul, Hussein Garmiyani e Kamal Mirawidly.

 

Antes da queda de Saddam Hussein, o Curdistão iraquiano já havia ido às urnas nas eleições legislativas de 1992, mas os resultados de então não foram reconhecidos pelo então ditador iraquiano e nem pela comunidade internacional.

 

A votação deste sábado ocorre em 120 colégios eleitorais no Curdistão iraquiano, além de em outros seis em Bagdá, sete naprovíncia de Ninawa e seis na de Al-Anbar, para que os curdos que vivem fora da região autônoma também possam votar.

 

A votação foi marcada pela ausência de incidentes e uma "boa participação", segundo vários observadores, que no começo da manhã já tinha superado 20%.

 

Pioneiros

 

Um dos primeiros a votar, segundo a imprensa local, foi Talabani. Ao votar em uma escola da província de Suleimaniya, Talabani afirmou que o pleito "é motivo de festa para curdos e iraquianos" e desejou "que todos exerçam seus direitos".

 

Outro político que já votou foi o primeiro-ministro do governo autônomo, Nechirvan Barzani, que em declarações a jornalistas destacou as conquistas da região autônoma nos últimos anos.

 

Em Washington, onde está em visita oficial, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, pediu aos curdos para que compareçam às urnas porque o pleito "define a imagem da democracia no Iraque unido".

 

Segundo o Conselho Superior Eleitoral, mais de 300 observadores internacionais de 22 países supervisionarão o processo eleitoral. A segurança foi reforçada em torno dos colégios eleitorais, cujos acessos foram dotados de barreiras de concreto para evitar possíveis atentados com carros-bomba.

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