Curdos iraquianos aprovam envio de combatentes para ajudar cidade síria

Legisladores curdos do Iraque aprovaram nesta quarta-feira um plano para enviar combatentes para a cidade síria de Kobani no intuito de aliviar os curdos sob ataque de militantes do Estado Islâmico no local, marcando a primeira incursão militar da região semi-autônoma na guerra da Síria.

ISABEL COLES E DASHA AFANASIEVA, REUTERS

22 de outubro de 2014 | 19h45

Kobani fica na fronteira com a Turquia e, os combatentes do Estado Islâmico, determinados a consolidar suas conquistas territoriais no norte sírio, realizaram uma ofensiva contra a cidade mesmo enquanto as forças lideradas pelos Estados Unidos começavam a bombardear suas posições.

A batalha também adquiriu um grande significado político na Turquia, onde o cerco desencadeou protestos entre os curdos e pôs em xeque um processo de paz com os insurgentes curdos do país, revoltados por ver o governo omitir ajuda a Kobani, cidade síria de maioria curda.

Sob pressão para ir além da assistência humanitária para os fugitivos da violência, Ancara declarou na segunda-feira que permitirá que os combatentes curdos iraquianos, conhecidos como “peshmerga”, ou aqueles que confrontam a morte, cruzem seu território para chegar a Kobani.

O parlamentar curdo iraquiano Mahmoud Haji Omer afirmou que a legislatura curda aprovou o plano em uma sessão nesta quarta-feira. “Hoje no parlamento concordamos em enviar as forças peshmerga a Kobani assim que possível”, disse.

Hemin Hawrami, outra autoridade curda do Iraque, declarou no Twitter que os peshmerga serão equipados com armamento pesado, o que ajudará os combatentes sitiados, que dizem precisar de armas que penetrem blindagem para enfrentar os militantes do Estado Islâmico, mais bem equipados.

Tiros foram ouvidos ao longo do dia e um ataque aéreo ocorreu perto do centro de Kobani no início da tarde, e cinco combatentes curdos foram enterrados na cidade turca fronteiriça de Suruç ao som de discursos desafiadores e canções curdas.

Idris Nassan, uma autoridade curda local, afirmou que os embates aconteceram no leste, no sudeste e no sudoeste da cidade ameaçada.

“Eles (o Estado Islâmico) sempre estão trazendo mais pessoas e armas das áreas ao redor e também de (província síria) Raqqa e do Iraque. Fica óbvio a cada vez que atacam”, relatou.

Um morador que visitou Kobani e pediu para não ser identificado disse que os militantes radicais sunitas ainda estão no controle do centro da cidade.

A agência de notícias Amaq, que é pró-Estado Islâmico, divulgou um vídeo de combatentes falando do que afirmaram ser o centro da Kobani, declarando que estão com o moral em alta e avançando apesar dos ataques aéreos da coalizão encabeçada pelos norte-americanos.

No domingo, os EUA declararam terem enviado remessas aéreas de suprimentos médicos e armas aos curdos de Kobani fornecidos pelo Governo Regional do Curdistão (KRG, na sigla em inglês) – medida que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou nesta quarta-feira porque os militantes do Estado Islâmico conseguiram tomar posse de algumas das armas.

“Sempre vai haver alguma margem de erro neste tipo de operações. De fato, normalmente sobrecarregamos estas aeronaves porque sabemos que alguns pacotes podem se perder”, afimou o coronel do exército dos EUA, Steve Warren, porta-voz do Pentágono.

A campanha liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico continuou nesta quarta-feira, quando ataques aéreos mataram cerca de 25 dos militantes perto da cidade de Baiji, no norte iraquiano, relataram moradores.

 

(Reportagem adicional de Saif Hameed em Bagdá, Oliver Holmes e Mariam Karouny em Beirute, Noah Browning, Saif Hameed e Ned Parker em Bagdá e Susan Heavey, Eric Beech, David Alexander e Phil Stewart em Washington)

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