Curdos iraquianos atacam Estado Islâmico, mas não rompem cerco a cidade síria

Forças curdas do Iraque abalaram, mas não não romperam, o cerco à cidade fronteiriça síria de Kobani, uma semana depois de serem recebidas com entusiasmo levando armamento pesado e combatentes para tentar salvar a localidade de um avanço do Estado Islâmico.

OMER BERBEROGLU E RASHA ELASS, REUTERS

07 de novembro de 2014 | 12h10

Kobani se tornou um teste simbólico da capacidade de a coalizão encabeçada pelos Estados Unidos deter o avanço dos insurgentes sunitas. A cidade na fronteira Síria-Turquia é uma das poucas áreas sírias onde a aliança consegue coordenar ataques aéreos com operações de uma força terrestre eficiente.

A chegada com veículos blindados e artilharia dos curdos iraquianos, conhecidos como peshmerga, ou “aqueles que encaram a morte”, permitiu à coalizão bombardear posições do Estado Islâmico ao redor de Kobani e recuperar alguns vilarejos.

Mas as frentes de batalha na cidade propriamente dita pouco mudaram. Seu flanco leste continua sendo controlado pelos militantes radicais, e grande parte do oeste ainda está nas mãos do YPG, principal facção armada curda da Síria defendendo a cidade, e combatentes aliados.

“Não há nenhuma mudança em Kobani como resultado dos peshmerga. Talvez uma ou duas ruas tenham sido conquistadas, e depois perdidas, e vice-versa”, disse Rami Abdulrahman, do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, grupo de monitoramento sediado em Londres.

“O Estado Islâmico está bem entrincheirado em Kobani, e os curdos dizem que precisam de mais armamento pesado para fazerem estragos... também precisa haver uma coordenação melhor entre as unidades curdas e as forças aéreas da coalizão”, afirmou, acrescentando que os atentados suicidas dos extremistas sunitas têm surtido efeito.

HERÓIS

Os peshmerga entraram em Kobani em mais de uma dúzia de picapes e jipes na sexta-feira passada vindos da Turquia, comemorando e fazendo sinais de vitória.

Eles foram acolhidos como heróis pelos curdos turcos e por refugiados curdos sírios, revoltados com a recusa de Ancara de enviar suas próprias tropas e otimistas com a perspectiva de ver os peshmerga virarem o jogo.

O Governo Regional do Curdistão, que administra uma região semi-autônoma no norte do Iraque, deixou claro desde o início que seus cerca de 150 combatentes peshmerga não iriam se envolver em combates diretos em Kobani, mas fornecer apoio de artilharia aos curdos sírios.

“Claro que a presença dos peshmerga tem sido útil, porque estão bombardeando posições do Estado Islâmico, destruindo seus combatentes e suas armas”, declarou Idris Nassan, uma autoridade de Kobani, por telefone.

“Por causa do bombardeio dos peshmerga detivemos o avanço do Estado Islâmico nas áreas rurais do oeste, assim como nos frontes do leste e do sudeste da cidade”, disse ele à Reuters.

Segundo ele, também houve um bom trabalho de equipe entre as unidades curdas e o Exército Livre da Síria, grupo de rebeldes moderados.

“O Estado Islâmico traz novos combatentes e suprimentos o tempo todo, então precisamos de combatentes e suprimentos também”, afirmou Nassan, acrescentando que os sunitas tomaram nove tanques em um ataque ao campo de gás de Sha'ar, no centro do país, que estão levando para Kobani.

“Precisamos de mais coordenação com as forças da coalizão e mais armamento pesado, especificamente armas anti-tanque e outras armas para compensar seus canhões, foguetes e morteiros”.

(Reportagem adicional de Alexander Dziadosz em Beirute)

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