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Decisão sobre pena de Sakineh é adiada em mais uma semana

Justiça iraniana pediu mais informações ao advogado de mulher condenada a apedrejamento

estadão.com.br,

14 de agosto de 2010 | 17h26

SÃO PAULO- O Comitê Internacional Contra Apedrejamento informou neste sábado, 14, que a Justiça iraniana adiou em mais uma semana a decisão sobre a pena de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada a apedrejamento inicialmente por adultério e agora acusada de envolvimento na morte de seu marido.

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Segundo a organização que lidera a campanha pela vida de Sakineh, o novo advogado da iraniana, Houtan Kian, compareceu hoje à corte de Tabriz, onde a mulher está presa, para ser informado sobre a sentença de sua cliente. As autoridades, no entanto, pediram mais informações sobre o caso e deram mais uma semana de prazo para a decisão da sentença. Deste modo, a Justiça comunicará se Sakineh será enforcada ou apedrejada até a morte em 21 de agosto.

 

Para o Comitê, o adiamento da sentença indica que a pressão da opinião pública mundial e a crescente onda de protestos internacionais estão surtindo efeito sobre a República Islâmica. A ONG também pede que Sakineh seja libertada imediatamente, defendendo sua inocência.

 

Carta

 

Ontem, o Comitê Internacional contra Apedrejamento publicou em seu site uma carta aberta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelando para que o órgão internacional envie uma delegação ao Irã para revisar o caso de Sakineh.

 

A ativista alerta a Ban que Sakineh pode ser executada a qualquer momento e, por isso, pede que uma delegação da ONU seja enviada imediatamente ao Irã para investigar as acusações feitas pelo regime contra a iraniana e rever seu caso.

 

Na quarta-feira, a TV estatal iraniana exibiu um programa no qual uma mulher identificada como Sakineh confessou adultério e envolvimento na morte de seu marido. Segundo a ativista iraniana Mina Ahadi, porta-voz da organização, essa é apenas uma tática do governo para legitimar sua decisão de matar a iraniana, o que querem fazer "a qualquer custo".

 

"Não é a primeira vez que o Irã coloca uma vítima inocente em um programa televisionado e a mata logo depois, com base em suas confissões forçadas - infelizmente, isso já aconteceu várias vezes", afirma a ativista no texto.

 

Segundo Ahadi, Sakineh nunca foi formalmente acusada pela morte de seu marido. "Não existe acusação civil contra Ashtiani. São as autoridades de Tabriz e os oficiais do governo que estão atuando como promotores e, por alguma razão, eles querem matá-la a qualquer custo".

 

Na carta, a iraniana reitera ao secretário-geral da ONU que outra pessoa já foi condenada pelo assassinato do marido de Sakineh. "De acordo com os documentos das cortes do regime, Ashtiani foi considerada inocente e outra pessoa foi condenada pela morte de seu marido; essa pessoa acusada confessou o assassinato e já foi presa", diz Ahadi.

 

A ativista também chama a atenção para o caso de um garoto de 15 anos condenado à morte por ser homossexual. "Seu crime é ser gay. Ele divide a cela com homens adultos que são criminosos, e nos escreveu pedindo ajuda. Essas atrocidades ocorrem diariamente no Irã. Há uma necessidade urgente de uma ação global."

 

Ahadi encerra a carta com um apelo urgente a Ban. "Mais uma vez, eu peço que você aja imediatamente para salvar a vida de Sakineh e de todas as outras vítimas do regime islâmico."

 

O caso da iraniana ganhou repercussão internacional quando seu advogado, Mohammed Mostafaie, levou o caso a público. A pressão fez com que o Irã mudasse a acusação de adultério para assassinato e a condenasse à forca. O advogado diz ter sido perseguido e por isso fugiu e está na Noruega.

 

Leia a carta na íntegra

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