Georg Hochmuth/Efe
Georg Hochmuth/Efe

Declaração sobre sionismo aprofunda crise entre Israel e Turquia

Primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, chamou o sionismo de crime contra a humanidade

Reuters

01 de março de 2013 | 07h45

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, acusou seu homólogo turco, Tayyip Erdogan, de fazer uma declaração "escura e falsa" ao chamar o sionismo de crime contra a humanidade, um comentário que deve prejudicar os esforços para reparar os laços entre os dois antigos aliados.

A declaração do primeiro-ministro turco, feita em uma reunião da ONU em Viena na quarta-feira, também foi condenada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que a considerou "dolorosa e divisiva", e pela Casa Branca.

O chefe do principal grupo de rabinos da Europa a chamou de um "ataque de ódio" contra os judeus. "Assim como o sionismo, o antisemitismo e o fascismo, tornou-se impossível não ver a islamofobia como um crime contra a humanidade", disse o primeiro-ministro turco no fórum Aliança de Civilizações da ONU, de acordo com relatos da mídia turca.

Os laços entre Israel e Turquia, de maioria muçulmana, estão prejudicados desde 2010, quando nove turcos foram mortos por comandos israelenses que invadiram um navio que transportava ajuda aos palestinos em Gaza.

Nas últimas semanas, tem havido uma série de relatos na imprensa turca e israelense sobre os esforços para reparar as relações, incluindo uma reunião diplomática de alto nível no início deste mês em Roma e a transferência de equipamentos militares.

Um comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelense disse que Netanyahu "condena veementemente a declaração (de Erdogan) sobre o sionismo e sua comparação com o fascismo". O movimento sionista foi a principal força por trás da criação do Estado de Israel.

"Este é um pronunciamento escuro e falso, do tipo que nós pensávamos ter passado à história", disse Netanyahu, segundo o comunicado divulgado na quinta-feira. A chancelaria turca não estava imediatamente disponível para comentar as críticas do primeiro-ministro israelense.

Pinchas Goldschmidt, rabino-chefe de Moscou e chefe da Conferência de Rabinos Europeus, disse que as críticas de Erdogan ao sionismo remontam ao antisemitismo.

"Este é um ataque ignorante e odioso sobre o povo judeu e contra um movimento que tem a paz em seu núcleo, que relega o primeiro-ministro Erdogan ao nível de Mahmoud Ahmadinejad (presidente iraniano) e dos líderes soviéticos que usaram o antisionismo como um eufemismo para o antisemitismo", disse Goldschmidt em comunicado enviado por email.

A Casa Branca também condenou a declaração. "Nós rejeitamos a caracterização do primeiro-ministro Erdogan do sionismo como um crime contra a humanidade, o que é ofensivo e errado", disse o porta-voz da Casa Branca Tommy Vietor em comunicado.

Tudo o que sabemos sobre:
SionismoTurquiaIsraelEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.