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Declarações de Bibi nos EUA foram 'decepcionantes', diz Abbas

Em reunião com presidente americano, premiê de Israel descartou Estado palestino, que Washington apoia

Agências internacionais,

18 de maio de 2009 | 16h52

O novo pedido do presidente americano, Barack Obama, para a criação de um Estado palestino foi "encorajador", mas as declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin "Bibi" Netanyahu, são "decepcionantes", disse nesta segunda-feira, 18, o porta-voz do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. "As declarações de Obama, que reiterou uma solução de dois Estados, são encorajadoras, mas as de Netanyahu, ignorando os direitos legítimos do povo palestino, são decepcionantes", afirmou à agência France Presse Nabil Abu Rudeina, representante do líder palestino.

 

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Netanyahu foi recebido nesta segunda na Casa Branca por Obama, com quem se reuniu por mais de duas horas. Os dois discutiram o processo de paz no Oriente Médio, o programa nuclear iraniano e as relações bilaterais. O presidente americano enfatizou a importância de Netanyahu levar Israel de volta à mesa de negociações. "Nós temos visto o progresso parado nesta frente e eu sugeri ao primeiro-ministro que ele está diante de uma oportunidade histórica de obter um movimento sério sobre o assunto durante seu mandato", disse Obama.

 

Até o momento, Netanyahu resistiu a apoiar a criação de um Estado palestino e também não mencionou essa possibilidade em Washington. Entretanto, o premiê expressou disposição para retomar "imediatamente" as conversas de paz, interrompidas depois que as Forças Armadas israelenses invadiram Gaza no ano passado, caso os palestinos aceitem o direito de Israel de existir.

 

Obama assegurou que as partes devem cumprir os compromissos contraídos no processo de paz e, se os palestinos devem dar melhores garantias para a segurança de Israel, o país, por sua vez, deve colocar fim aos assentamentos israelenses na Cisjordânia. "Penso que não há motivo para não aproveitarmos a oportunidade e o momento", avaliou o líder americano.

 

ASSENTAMENTOS

 

Ainda nesta segunda, a ANP acusou Israel de estender a colonização com um assentamento cuja criação foi denunciada pouco antes por Obama. "Isso é uma clara mensagem, prova da insistência do governo israelense em seguir adiante com suas políticas colonizadoras", se queixou o assessor presidencial palestino, Nabil Abu Rudaineh, após saber dos planos de Israel de retomar, três anos após a paralisação, a construção de um novo assentamento judaico.

 

Chamada de Maskiot, a nova colônia fica na região palestina do Vale do Jordão, 10 quilômetros ao sul da tripla fronteira entre Israel, Jordânia e Cisjordânia. A colônia abrigará, em princípio, 20 famílias judaicas, mas os planos preveem uma rápida expansão.

 

Abu Rudaineh, que considera a decisão uma "provocação", exigiu ao presidente americano que obrigue Israel a cessar a colonização da Cisjordânia, porque, para ele, o novo assentamento "expressa claramente uma rejeição ao processo de paz e à solução de dois Estados."

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