Defesa aérea síria abre fogo contra aviões israelenses

Governo de Damasco confirma ataque e ressalta que aeronaves de Israel invadiram seu espaço aéreo

Agências internacionais,

06 de setembro de 2007 | 09h27

A defesa aérea síria abriu fogo contra aviões israelenses que supostamente invadiram o espaço aéreo do país árabe durante a madrugada desta quinta-feira, 6, revelou em Damasco um porta-voz do Exército da Síria.   Veja também  'Ninguém está otimista' com paz, diz analista     O porta-voz, citado pela agência estatal de notícias Sana, não entrou em detalhes sobre de onde partiram os tiros nem por onde ocorreu a invasão. O incidente ocorreu por volta da zero hora.   As forças militares de Israel negaram o ataque, segundo a Rádio Israel. "Esse evento nunca aconteceu", disse a rádio, citando um porta-voz militar israelense não identificado.   Em um comunicado, o escritório de relações públicas das Forças de Defesa de Israel (FDI) disse que não costuma "responder a esse tipo de relato".Embora a afirmação não corresponda com a prática da FDI, um membro das forças de segurança informou que o governo determinou que o assunto não fosse discutido publicamente.   Testemunhas disseram ter ouvido o barulho de cinco aviões ou mais sobre a área de Tal al-Abiad, na fronteira da Síria com a Turquia, cerca de 160 quilômetros a norte da cidade síria de Rakka. Elas disseram que os aviões seguiram em direção ao sul.   O porta-voz sírio não esclareceu se a suposta invasão de espaço aéreo teria sido protagonizada por aviões tripulados ou por sondas não-tripuladas.   Israel admite invadir rotineiramente o espaço aéreo sírio, mas a freqüência desses vôos é desconhecida. A última vez que caças-bombardeiros israelenses realizaram uma operação deste tipo e atiraram contra o território vizinho foi em outubro de 2003.O ataque de então, contra o desabitado campo de refugiados palestinos de Ein Tzacheb, foi uma resposta a um atentado suicida que matou 19 pessoas em Haifa.   Negociações   Após meses de comentários sobre a retomada de negociações de paz entre os dois países - hoje paralisadas devido às especulações de que ambos os lados admitem a possibilidade de um ou outro estar preparando um ataque surpresa - autoridades da Síria vieram a público.   "Isso mostra que Israel não consegue abrir mão de uma postura agressiva e traiçoeira", afirmou o ministro sírio da Informação, Mohsen Bilal, ao canal de TV al-Jazeera.   Um especialista israelense familiarizado com questões de segurança afirmou acreditar que o Estado judaico vinha testando as defesas aéreas da Síria.   Os EUA não quiseram se manifestar sobre as acusações. Questionado sobre o caso, Tony Fratto, porta-voz do governo norte-americano, respondeu: "Não vamos fazer comentários."   Tensão   Os dois países vivem há meses um clima de grande tensão. Algumas autoridades dos serviços de inteligência de Israel sugeriram que o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, pode estar pronto para tomar pela força algumas partes das colinas do Golã, ocupadas por Israel desde 1967.   Autoridades da Síria afirmaram que o país continuava tentando resolver a questão pelas vias pacíficas, mas alguns deles notaram que a força continuava a ser uma opção caso a diplomacia fracassasse.                                   O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, que um ano atrás, no Líbano, lançou suas forças contra a guerrilha Hezbollah, aliadas da Síria, esforça-se para deixar claro que não acalenta planos de enfrentamento contra os sírios.respondeu: "Não vamos fazer comentários." 

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