Depois de troca de farpas, Bush reitera apoio a Maliki

Em discurso a veteranos, presidente cita atuação americana na Coréia para defender guerra do Iraque

Agências internacionais,

22 de agosto de 2007 | 12h58

Um dia depois de aparentemente tentar se distanciar do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, o presidente americano, George W. Bush, enfatizou nesta quarta-feira, 22, seu apoio ao líder árabe.  Veja TambémQueda de helicóptero mata 14 soldados dos EUANinguém deve intervir no governo, diz premiêBush mostra frustração com governo iraquiano Em discurso a veteranos de guerra, Bush também citou o avanço da democracia na Ásia após o engajamento americano na região para defender sua política para o Iraque. Segundo o presidente, o fim da ditadura de Saddam Hussein trouxe aos iraquianos o poder de escolha sobre o futuro político do país.  "O primeiro-ministro Maliki é um cara legal, um bom homem com um trabalho difícil, e eu o apóio", disse Bush.  Pontuado por exemplos de avanço da democracia no Iraque, o discurso do presidente procurou deixar claro que a decisão sobre o futuro do Iraque é um tarefa exclusiva dos iraquianos.  "Não cabe a políticos em Washington dizer se ele permanecerá ou não na posição", disse Bush sobre Maliki. "Cabe ao povo iraquiano, que agora vive em uma democracia, e não numa ditadura." As palavras do presidente parecem ter por objetivo amainar a impressão deixada na terça-feira, 21, de que o presidente estaria tentando se distanciar de Maliki a poucas semanas da divulgação de um novo relatório sobre os avanços políticos e militares no Iraque. Isso porque, em discurso feito no Canadá na terça-feira, o presidente expressou frustração com a falta de progresso do governo Maliki para a reconciliação iraquiana e disse que caberia ao povo iraquiano decidir sobre uma eventual substituição do premiê.  As afirmações do presidente americano levaram a uma resposta dura de Maliki nesta quarta-feira: "Ninguém tem o direito de impor prazos para o governo iraquiano. Fomos eleitos pelo povo." Engajamento na Ásia A polêmica com Maliki desviou os holofotes de uma tentativa de Bush em comparar a guerra do Iraque com as campanhas americanas na Ásia, que segundo ele não tiveram apoio popular (como o Iraque), mas que resultaram numa paz duradoura na região. Segundo a Casa Branca, o discurso desta quarta-feira é parte de um esforço para providenciar "um contexto mais amplo" para as discussões acerca do relatório sobre os progressos no Iraque que será apresentado pelo general David Petraeus e o embaixador Ryan Crocker em setembro. Para o presidente, uma semelhança entre o Iraque e os conflitos no Japão (durante a 2ª Guerra Mundial), na Coréia e no Vietnã é que todos tiveram como principal característica um componente ideológico.  "Nós ainda estamos nos primeiros momentos do atual conflito ideológico, mas sabemos como os outros acabaram, e esse conhecimento nos ajuda a guiar nossos esforços hoje", disse o presidente. "Os ideais que levaram os japoneses a converter uma derrota numa democracia são os mesmos que nos fazem permanecer engajados no Afeganistão e no Iraque."  Bush também citou o exemplo sul-coreano: "A estratégia de defesa que não permitiu uma entrega da Coréia do Sul a seu vizinho totalitário ajudou no surgimento do Tigre Asiático que é exemplo para outros países em desenvolvimento em todo o mundo, inclusive no Oriente Médio." Segundo o presidente, o resultado do "sacrifício e perseverança americanos" na Ásia é um continente mais "livre, próspero e estável, cujo povo quer viver em paz com os Estados Unidos". Por outro lado, o presidente também citou a retirada do Vietnã como um exemplo do que buscam os inimigos dos Estados Unidos. Segundo Bush, o que Osama bin Laden quer é que os americanos se levantem contra a guerra do Iraque da mesma maneira que fizeram com a guerra do Vietnã.

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