Desavença entre árabes e Israel prejudica desarmamento--AIEA

A percepção entre países árabes de que Israel tem desrespeitado o Tratado de Não-Proliferação Nuclear é o maior obstáculo para o desarmamento nuclear mundial, disse o diretor da agência da ONU para fiscalização nuclear nesta segunda-feira. Há uma grande preocupação na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) sobre o suposto poder nuclear israelense e o seu afastamento do tratado. Acredita-se que Israel possua o único arsenal nuclear no Oriente Médio, mas o país nunca confirmou ou negou os rumores. Em artigo no jornal International Herald Tribune, o chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, definiu o que ele acredita que deve ser feito para obter um consenso sobre o desarmamento nuclear. "O que contribui para o problema é que o regime de não-proliferação nuclear perdeu sua legitimidade aos olhos da opinião pública árabe, devido à percepção de critérios duplos relativos a Israel, o único país da região fora do tratado e que possuiria armas nucleares", escreveu. ElBaradei também reiterou que se animou com o compromisso do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de fazer da eliminação de todas as armas nucleares parte central de sua plataforma política. Para isso, as nações têm de conceder autoridade e dinheiro à Organização das Nações Unidas, disse ele. "A ONU e as agências devem receber autoridade adequada e financiamento e serem dirigidas por líderes que tenham visão, coragem e credibilidade", escreveu ElBaradei. Em um ataque contra os Estados Unidos e Israel, ele disse: "Acima de tudo, nós precisamos cessar a flagrante violação de princípios fundamentais do direito internacional, tais como as limitações sobre o uso unilateral da força, proporcionalidade em auto-defesa e a proteção de civis durante hostilidades, para se evitar uma repetição do massacre de civis no Iraque e, mais recentemente, em Gaza". ElBaradei, que deve deixar o cargo em novembro com o fim de seu terceiro mandato, se desentendeu com a antiga administração Bush sobre o que ele viu como unilateralismo e recusa em dialogar com adversário, como o Irã. (Reportagem de Madeline Chambers)

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