Desertor iraquiano 'inventou' acusação de armas proibidas-jornal

Um desertor iraquiano inventou as acusações de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, o que serviu de pretexto para que os EUA e seus aliados invadissem o país, disse o jornal britânico Guardian nesta quarta-feira.

REUTERS

16 de fevereiro de 2011 | 09h36

O desertor Rafid Ahmed Alwan al Janabi disse ao jornal que foi o responsável por denúncias, apresentadas em 2000 aos serviços alemães de inteligência, de que o Iraque possuiria armas biológicas móveis e fabricas clandestinas de armas.

Depois da invasão norte-americana, em 2003, nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada no país. O conflito levou à queda de Saddam e mergulhou o Iraque num prolongado período de instabilidade política, além de resultar em mais de 100 mil mortes, a maioria de civis.

"Talvez eu estivesse certo, talvez não", disse Janabi, apelidado de "Curveball" pelas autoridades de inteligência dos EUA e da Alemanha. "Eu tinha um problema com o regime de Saddam", declarou ele ao Guardian. "Queria me livrar dele, e tinha essa chance."

As informações transmitidas por Janabi serviram de base para um discurso feito em 2003 pelo então secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, ao Conselho de Segurança da ONU, em que ele defendia o uso da força contra a ameaça das supostas armas de destruição em massa do Iraque.

O BND (serviço secreto alemão), que havia identificado Janabi como um engenheiro químico radicado em Bagdá, abordou-o em março de 2000 e depois novamente em 2002, procurando informações sobre o Iraque.

"Eles me deram essa chance. Eu tive a chance de fabricar algo para derrubar o regime", afirmou ele. "Acreditem em mim, não havia outra forma de trazer a liberdade para o Iraque. Não havia outras possibilidades."

(Por Karolina Tagaris)

Tudo o que sabemos sobre:
IRAQUEARMAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.