Diálogo entre Irã e União Europeia pode ser retomado em 5 de novembro

Chefe da diplomacia do bloco europeu deverá se encontrar com negociador chefe iraniano

Reuters

12 de novembro de 2010 | 12h22

BRUXELAS - A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, propôs um encontro com o mais alto negociador do Irã no início do próximo mês para discutir o programa nuclear da República Islâmica, disse nesta sexta-feira, 12, um diplomata do bloco europeu.

 

Veja também:

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

lista Veja as sanções já aplicadas contra o Irã

Após consultas às seis potências mundiais envolvidas nas negociações com o Irã - EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha - o diplomata afirmou que Ashton escreverá ao negociador-chefe iraniano, Saeed Jalili, propondo um encontro em 5 de dezembro, provavelmente na Suíça.

Jalili escreveu nesta semana para Ashton, propondo um encontro em 23 de novembro ou 5 de dezembro, em Istambul. "Catherine Ashton deve responder ao Irã até o fim do dia e deve concordar com a proposta do Irã de um encontro em 5 de dezembro, mas não em Istambul", afirmou à Reuters o diplomata, que não quis se identificar.

"O encontro será em algum outro lugar da Europa, mais provavelmente na Suíça. Um segundo encontro também pode ser proposto para Istambul", afirmou.

Se as conversas, que estão sendo negociadas há quase seis meses, forem confirmadas, será a primeira vez em mais de um ano que o Irã concorda em um encontro para discutir o seu programa nuclear, que as potências mundiais acreditam ser destinado à construção de bombas atômicas, mas que Teerã alega ter fins pacíficos.

A pressão para que o Irã volte à mesa de negociações aumentou desde que a ONU, os EUA e a União Europeia passaram a impor sanções mais severas ao país, em junho.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e outros líderes do país minimizaram as sanções, mas há indicações de que elas tiveram um impacto, inclusive uma grande queda no valor da moeda iraniana. Assim, os esforços de ambos os lados para avançar nas negociações aumentaram nos últimos meses.

Com a crescente probabilidade de o encontro acontecer, Ahmadinejad reiterou recentemente que o Irã não irá negociar seu direito de desenvolver sua tecnologia nuclear, mas não descartou totalmente uma discussão sobre o programa de enriquecimento de urânio.

Conversas

Os negociadores ocidentais dizem que não se opõem ao Irã possuir um programa nuclear para fins civis, mas querem demonstrações absolutas de que tal projeto não será usado como uma cortina de fumaça para enriquecer urânio a um nível capaz de servir para a criação de bombas atômicas.

Se 5 de dezembro for confirmada como a data do encontro, e um local for acertado, as negociações podem durar por até três dias com representantes das seis potências mundiais presentes, disseram diplomatas da União Europeia.

Ashton, escolhida como chefe dos assuntos externos do bloco europeu em dezembro passado, recebeu das seis potências mundiais -- constituídas pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU somados à Alemanha -- a incumbência de negociar com o Irã. Ela disse que todos os assuntos, inclusive o programa de enriquecimento de urânio, devem estar à mesa para debate.

Em cartas escritas desde julho, Jalili não descartou negociações nucleares diretas, mas pediu que Ashton primeiramente expressasse sua posição sobre as armas nucleares do "regime sionista," uma referência a Israel, que não confirma nem nega que tenha bombas atômicas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.