Diálogo no Oriente Médio segue em risco após visita de Hillary

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, encerrou na quinta-feira três dias de conversações com líderes israelenses e palestinos, sem sinais de avanços visíveis para acabar com um impasse em torno das construções em assentamentos da Cisjordânia.

JEFFREY HELLER, REUTERS

16 de setembro de 2010 | 14h50

Em entrevista à ABC News, Hillary voltou a expressar as esperanças dos EUA de que Israel prorrogue a suspensão temporária das construções, prevista para terminar em 30 de setembro.

Mas Israel reafirmou que a suspensão de dez meses das construções na Cisjordânia ocupada vai terminar no prazo previsto, e a ameaça palestina de abandonar as negociações ainda nascentes se isso acontecer lançou sombra sobre o esforço de paz dos EUA.

Fontes próximas às negociações disseram que o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou uma proposta de estender a suspensão por mais três meses.

Encerrando a rodada de negociações que começou no Egito na terça-feira, Hillary Clinton se reuniu com o rei Abdullah na Jordânia, depois de encontrar-se com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Ramallah, na Cisjordânia.

Em coletiva de imprensa em Amã, ela disse confiar que Netanyahu e Abbas possam tomar as decisões necessárias para resolver todas as diferenças principais no prazo de um ano.

Essas diferenças incluem as fronteiras de um futuro Estado palestino, o futuro dos assentamentos, Jerusalém e os refugiados palestinos.

Mas o porta-voz de Abbas deixou claro que os palestinos não recuaram de sua exigência para que continue a moratória das construções em terras capturadas por Israel numa guerra de 1967, terras que eles querem para seu futuro Estado.

MEIO TERMO

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, disse à emissora israelense Channel 1 TV que conversou com Netanyahu sobre a ideia de prolongar a suspensão por mais três meses, para tentar ganhar tempo para que os negociadores possam chegar a um acordo quanto às fronteiras do Estado palestino.

Israel já disse que tal acordo implicaria em uma troca de territórios, pela qual Israel conservaria importantes blocos de assentamentos na Cisjordânia.

Uma vez acordado o traçado da fronteira, disse Mubarak na entrevista, Israel poderia construir dentro de suas fronteiras futuras, e os palestinos poderiam fazer o mesmo - com isso resolvendo a questão da suspensão, na prática, e mantendo vivas as negociações de paz.

Fontes próximas às negociações disseram que os EUA - que lançaram as negociações cara a cara em Washington em 2 de setembro, após um hiato de 20 meses - fizeram uma proposta semelhante. Representantes norte-americanos se negaram a comentar.

Os assentamentos são vistos como ilegais pela Corte Mundial, posição contestada por Israel. Os palestinos temem que os encraves israelenses lhes impossibilitem ter um país viável e contíguo.

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