Diplomata dos EUA visita cidade síria; ONU inicia investigação

O embaixador dos EUA na Síria fez nesta terça-feira uma visita inesperada a uma cidade do sul do país, na sua segunda viagem à região conflagrada por protestos contra o presidente Bashar al Assad. Ao mesmo tempo, uma equipe humanitária da ONU está percorrendo o país.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

23 de agosto de 2011 | 20h41

A presença internacional não impediu que, segundo ativistas, as forças do governo matassem pelo menos cinco pessoas nas poucas manifestações por democracia realizadas na terça-feira.

De acordo com esses ativistas, casas foram invadidas por militares e milicianos em várias localidades do planalto agrícola de Al Ghab. "Temos o nome de um dos cinco mártires, Omar Mohammed Saeed al Khateeb", relatou uma fonte em Hama, cidade que está sob cerco militar desde o começo de agosto.

A ONU diz que 2.200 pessoas já foram mortas na Síria, e o Conselho de Direitos Humanos da entidade iniciou na terça-feira uma investigação sobre os incidentes, incluindo possíveis crimes contra a humanidade, apesar das objeções de Rússia, China e Cuba.

A violência é parte da repressão do governo de Assad a manifestações por democracia iniciadas há cinco meses. Na semana passada, os EUA e a União Europeia ampliaram suas sanções contra a Síria e pediram a renúncia do presidente.

Em Jassem, cidade que fica cerca de 30 quilômetros a leste das colinas do Golã (território sírio ocupado por Israel), moradores disseram que o embaixador Robert Ford visitou uma área onde, segundo ativistas sírios, pelo menos 12 pessoas foram mortas em maio.

A vista dele deve irritar o governo de Damasco, como já aconteceu há sete semanas, quando o diplomata esteve em Hama, num gesto de solidariedade à cidade onde ocorreram enormes manifestações contra Assad em junho e julho.

Damasco na ocasião acusou Ford de estimular distúrbios -- algo que os EUA negam -- e proibiu diplomatas ocidentais de deixarem a capital e seus arredores. Dias depois, uma multidão invadiu a embaixada norte-americana, quebrando vidraças e pichando paredes.

"Ele veio de carro hoje de manhã, embora Jassem esteja cheia de (agentes da) polícia secreta", disse um morador à Reuters. "Ele passou um bom tempo andando por aí. Ele teve o cuidado de não ser visto conversando com as pessoas, aparentemente para não lhes causar danos."

Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse que Ford passou cerca de quatro horas em Jassem, e que só informou isso às autoridades sírias depois que a viagem já estava concluída.

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay em Genebra; Suleiman al-Khalidi em Amã; e Andrew Quinn em Washington)

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