Disputa interna adia posse de governo no Iraque

Disputas entre membros da nova coalizão levaram o Parlamento iraquiano a adiar para terça-feira a votação que formalizará o novo governo do país, prolongando por mais um dia um impasse que já se arrasta desde a eleição de março.

SUADAD AL-SALHY E WALEED IBRAHIM, REUTERS

20 de dezembro de 2010 | 17h15

O primeiro-ministro Nuri al Maliki disse que ainda não escolheu todos os nomes do gabinete, e há disputas por cargos ministeriais.

"Acreditem em mim, foi uma tarefa muito difícil formar um governo num país como o Iraque", disse Maliki a jornalistas. "Foi uma tarefa muito difícil porque você precisa encontrar um lugar para cada um no governo, não só para os que ganharam (as eleições), mas para todos os que participaram."

O prazo para a aprovação do gabinete termina no final desta semana, e a falta de acordo reflete as divisões sectárias e étnicas que ainda assolam o país, sete anos e meio depois da invasão norte-americana que derrubou o ditador Saddam Hussein.

A última lista de ministeriáveis incluía o atual ministro do Petróleo, Hussain al-Shahristani, como vice-premiê para assuntos energéticos, com o vice-ministro Abdul Kareem Luaibi promovido a titular da pasta do Petróleo.

Embora a votação tenha sido remarcada para terça-feira, alguns parlamentares disseram que só aprovarão o novo governo quando a barganha política tiver terminado, e o gabinete tiver sido anunciado.

"Não vamos votar um governo incompleto", disse Amir al-Kinani, parlamentar xiita do bloco leal ao clérigo antiamericano Moqtada al Sadr.

Shadi Hamid, diretor de pesquisas da entidade Brookings Doha Center, disse que o adiamento de segunda-feira já era previsível.

"Acordos de unidade nacional são difíceis mesmo nas melhores circunstâncias, mas estas estão longe de serem as melhores circunstâncias", disse ele. "Esse é realmente um equilíbrio elaborado e de alta voltagem."

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